terça-feira, 30 de novembro de 2010

A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO ATRAVÉS DA IGREJA. Subsídio para Lição Bíblica - 1º Trimestre/2011


Lição 1 - 1º Trimestre de 2011
Texto Bíblico
: Atos 1.1-5
Texto Áureo: At 1.8

Introdução

Na introdução desta primeira lição de 2011, encontramos uma citação de John Stott, feita pelo pastor Claudionor de Andrade, que cabe um breve comentário: "A leitura de Atos não deve levar-nos a uma idealização da Igreja primitiva, como se ela não possuísse nenhum defeito [...]."

Assim como em qualquer outro livro da Bíblia, a realidade não é mascarada. Desta maneira, as virtudes e os defeitos de personagens, comunidades e povos são manifestos. Em Atos a Igreja vivencia momentos de glória, poder e crescimento, mas também, momentos de dificuldades internas e de perseguições externas. O texto de Stott (2003, p. 10) diz:

"[...] precisamos ser realistas. Existe o perigo de romantizarmos a igreja primitiva, falando dela em tom solene, como se não tivesse falhas. Isso significaria fechar os olhos diante das rivalidades, hipocrisia, imoralidades e heresias que atormentavam a igreja,como acontece ainda agora. Todavia uma coisa é certa: a igreja de Cristo fora enchida pelo Espírito Santo, que a espalhou para testemunhar."

A Igreja do primeiro século não é uma igreja perfeita, mas tem muito a nos ensinar em termos de submissão, poder, comunhão e evangelização.

Autoria, data e propósito

A autoria de Atos é creditada à Lucas:

"Na erudição neotestamentária, é quase axiomático que, seja quem for que tenha escrito o terceiro evangelho, também escreveu Atos. Tradicionalmente esse autor tem sido identificado como Lucas, o médico e companheiro de Paulo. Nos manuscritos dos evangelhos, encontra-se 'Segundo Lucas', quando se trata do terceiro evangelho." (WILLIAMS, 1996, p.14).

"Nem o Evangelho nem o livro de Atos dá o nome do seu autor, mas foi provavelmente Lucas, amigo e companheiro de Paulo. A indicação de sua autoria encontra-se nos três 'nós', onde a narrativa está na terceira pessoa do plural (Atos 16.10-17; 20.5-21; 27.1-28), dando a entender que o autor era companheiro de Paulo nessas três ocasiões, e que usou o seu diário de viagem como fonte de material." (PFEIFFER e HARRISON, 1987, p. 238)

"O autor é Lucas, que também escreveu o evangelho que leva seu nome." (RICHARDS, 2005, P. 706)

"Lucas escreve Atos como continuação do seu primeiro livro, o Evangelho de Lucas. O Terceiro Evangelho registra o que Deus realizou através das ações e ensinos do Jesus ungido pelo Espírito, ao passo que Atos enfatiza a continuação da obra de Jesus feita por suas testemunhas capacitadas pelo Espírito." (ARRINGTON e STRONSTAD, 2003, p. 623)

"A partir do século II, a igreja primitiva atribuiu a Lucas tanto o terceiro evangelho como o livro de Atos dos Apóstolos. Ele é provavelmente o único grego a quem é atribuída autoria de um livro do NT." (PFEIFFER; VOS; REA, 2006, p. 1180)

Poderíamos aumentar em muito a lista de citações, onde se confirmaria a autoria de Lucas.

Para Williams (idem) o nome grego Loukas pode ser uma abreviatura (contração) de Loukanos, onde a terminação as, geralmente utilizada para os escravos, sugeriria que Lucas tivesse sido um escravo treinado para ser médico. Na realidade, os fatos concretos sobre Lucas são escassos.

Stott (idem, p. 20) afirma que Lucas era um homem qualificado para a tarefa de escrever esse livro, pois era um médico culto, submetido a um treinamento rigoroso, sendo o seu grego refinado uma prova disto. Concordando com Stott, Boor (2003, p. 18) entende que "o autor de Atos dos Apóstolos é uma pessoa culta, capaz de escrever em grego versátil com fineza gramatical.

A data de Atos é defendida por uns entre 90-100 d.C., "sob a alegação de não se tratar de uma mera crônica de eventos, mas ser claramente o produto de muitas reflexão." (WILLIAMS, ibdem, p. 24). Outros autores datam Atos entre 60 e 70 d.C., visto que Lucas não menciona a morte de Paulo (cerca de 67. d.C.), e em razão de sua abrupta conclusão (PFEIFFER e HARRISON, idem).

O propósito original do livro de Atos está em apresentar à Teófilo uma narrativa dos primórdios da igreja primitiva até o encarceramento de Paulo, em Roma, e de que forma Jesus continuou a sua obra (Lc 1.1-4 e Atos 1.1-4).

O título do livro

Para Williams (ibdem, p. 26): "O título não é original. Foi cunhado algum tempo depois de cortar-se a conexão do livro com o evangelho e, talvez, à época em que recebeu reconhecimento como livro canônico."

Kistemaker (2006, p. 17) comenta que O título de Atos acrescentado provavelmente no século 2º, é problemático em vários aspectos. Alguns tradutores da Bíblia trazem a designação Atos dos Apóstolos, e contam com o apoio dos pais da igreja primitiva.

Um dos aspectos destes problemas seria o fato da listagem dos 12 apóstolos aparecer apenas no capítulo 1, recaindo a ênfase dos demais capítulos no ministério de Pedro e Paulo. João é mencionado apenas ao acompanhar Pedro ao templo (3.1) e a Samaria (8.14), não sendo registrado por Lucas nenhum dos seus feitos ou palavra específica. Outras propostas de título para o livro foram "Os Atos do Espírito Santo" ou simplesmente "Atos".

Boor (2003, p. 16) entende que o título grego - práxeis apostólon = Ações dos Apóstolos - é o mais apropriado, uma vez que se assemelha com as obras da literatura antiga que relatam de maneira solta e plástica uma série de acontecimentos da vida de homens famosos.

O conteúdo de Atos

Marshall (1982, p. 21-32) lista os seguintes conteúdos:

- A continuação dos atos poderosos de Deus registrados no Antigo Testamento e do ministério de Jesus

- A missão e a mensagem da igreja primitiva

- O progresso da Palavra a despeito da oposição

- A inclusão dos gentios no povo de Deus

- A vida e a organização da igreja

Aplicação prática da lição

A presente lição nos ensina as seguintes verdades práticas:

- A importância do registro de nossa história como contribuição para as gerações futuras.

- A grande contribuição que homens cultos e cheios do Espírito Santo podem dar a igreja. O Dr. Lucas nos prova que erudição combina com simplicidade, clareza e acessibilidade.

- Assim como na igreja apostólica, os problemas atuais com rivalidades, hipocrisia, imoralidades e heresias precisam ser tratados com transparência e urgência.


Referências Bibliográficas

ARRINGTON, L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

BOOR, Weiner de. Atos dos Apóstolos. Curitiba-PR: Esperança, 2003.

KISTEMAKER, Simon. Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. v.1

MARSHAL, I. Howard. Atos: Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

______; HARRISON, Everett. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: IBR, 1987.

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: Até os confins da terra. São Paulo: ABU, 2003.

WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. São Paulo: Vida, 1996.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A PARÁBOLA DA ALUNA-DRACMA PERDIDA

"Ou qual é a professora que, tendo dez alunas-dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a sala e a procura diligentemente até encontrá-la?

E, tendo-a achado, reúne as amigas professoras e salas vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a aluna-dracma que eu tinha perdido.

Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende."

(Lc 15.8-10, adaptado por Altair Germano)

Diferente do aluno-ovelha perdido, a aluna-dracma encontra-se perdida na própria sala de aula. Ela frequenta a Escola Bíblica Domincal regularmente, mas encontra-se perdida.

A posibilidade de se achar a aluna-dracma perdida é grande, desde que se empreenda o esforço necessário. Desde que se dê o devido valor que ela possue.

O valor da aluna-dracma não deve ser calculado em termos quantitativos. Ela tem valor pelo que é, e pelo que representa. Ela tem valor porque é uma vida preciosa para Deus. Ela tem valor porque é gente como a gente.

Por qual razão a aluna-dracma estava perdida? É provável que pode ter sido manuseada (tratada) inadequadamente, ou ainda, pode ter se separado acidentalmente (emocionalmente, mentalmente e espiritualmente) do grupo de alunas-dracmas. O fato é que estava perdida.

Assim como a nossa aluna-dracma da parábola, há milhares de alunas-dracmas perdidas em nossas salas de Escola Bíblica Dominical, aguardando passivamente que alguém se disponha a diligentemente procurá-las, tomá-las em suas mãos e reintegrá-las graciosamente e amorosamente ao grupo.

Procuremos incansavelmente a aluna-dracma perdida!

Leia também: A párabola do aluno-ovelha perdido

II CONGRESSO DA EBD NA AD EM CANAÃ DOS CARAJÁS-PA

As irmãs do Círculo de Oração e a mocidade se fizeram presentes nos cultos à noite

Cerca de 500 irmãos participaram das palestras durante o Congresso da EBD

O pastor Hamiltom Amarante e o presbítero Manoel Filho estiveram presentes ativamente

A cantora Valéria Veras e seu esposo pastor Gildásio (à esquerda) , e a cantora Raquel Veras e seu esposo pastor Carlos de Jesus (à direita)

A Assembleia de Deus em Canaã dos Carajás, igreja liderada pelo pastor Hamiltom Amarante, realizou no perído de 12 a 15 de novembro de 2010 o seu II Congresso de Escola Bíblica Dominical, contando com a participação de cerca de 500 inscritos.

O tema do congresso foi "Discípulos que fazem discípulos, que fazem discípulos", com base em Mt 29.19-20.

As palestras foram ministradas por mim, tendo os seguintes temas:

- A EBD como agência discipuladora e promotora de vida espiritual
- A EBD como agência discipuladora e promotora de vida moral
- A EBD como agência discipuladora e promotora de vida social

Os cultos à noite tiveram a participação das cantoras Raquel Veras (GO) e Valéria Veras (Portugal), e como pregador o pastor Carlos de Jesus (GO).

O evento teve a coordenação do presbítero Manoel Filho e contou com apoio do irmão João Nunes.

O pastor Hamilton Amarante falou da sua satisfação com o sucesso deste segundo congresso, ressaltando o valor da boa formação dos professores da EBD, para uma escola que contempla também o discipulado na igreja.

A PARÁBOLA DO ALUNO-OVELHA PERDIDO


"Então, lhes propôs Jesus esta parábola:

Qual, dentre vós, é o professor da EBD que, possuindo cem alunos e perdendo um deles, não deixa na sala os noventa e nove e vai em busca do que se perdeu, até encontrá-lo?

Achando-o, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.

E, indo para a igreja, reúne a direção da escola, os demais professores e os alunos das outras classes, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei o meu aluno perdido.

Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um aluno que se arrepende do que por noventa e nove alunos que não necessitam de arrependimento."

(Lucas 15.3-7, adaptado por Altair Germano)

Neste início do século XXI, milhares de alunos de Escolas Bíblicas Dominicais continuam se perdendo, sem que muitos professores tomem a iniciativa de ir em busca deles.

Posso citar alguns fatores que cooperam para isso:

- Indiferença pelas vidas preciosas, resultado da falta do verdadeiro amor cristão;

- Salas de aula com muitos alunos, onde a perda de um não faz diferença alguma para o professor;

- Foco do processo ensino-aprendizagem, nas estruturas, nos recursos materiais, tecnológicos e financeiros, no planejamento, nos métodos (nas coisas) e não nas pessoas;

Que o mestre dos mestres, o Senhor Jesus, seja para todos nós professores de EBD, um exemplo a ser seguido na busca do aluno-ovelha perdido.

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Aguardem: "A Parábola do Aluno-dracma Perdido" e a "Parábola do Aluno-pródigo".