terça-feira, 22 de março de 2011

PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA. Subsídio para Lição Bíblica - 1º Trimestre/2011

Penso ser interessante para o professor da EBD, num primeiro momento, trazer para o seu aluno, um pouco da história de Roma. As informações desta primeira parte deste subsídio foram tiradas da Wikipédia (Roma Antiga. Disponível em . Acesso em 22/03/2011). O uso de um mapa da viagem de Paulo a Roma se torna um recurso didático necessário para essa lição.

ROMA ANTIGA

A
Roma Antiga foi uma civilização que se desenvolveu a partir da cidade-Estado de Roma, fundada na península Itálica durante o século VIII a.C. [1]. Durante os seus doze séculos de existência, a civilização romana transitou da monarquia para uma república oligárquica até se tornar um vasto império que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural. No entanto, um rol de fatores sócio-políticos iria agravando o seu declínio, e o império seria dividido em dois. A metade ocidental, onde estavam incluídas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colapso definitivo no século V e deu origem a vár
ios reinos independentes; a metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida como Império Bizantino a partir de 476 d.C., data tradicional da queda de Roma e aproveitada pela historiografia para demarcar o início da Idade Média.

AS PROVÁVEIS ORIGENS DO NOME "ROMA"

A etimologia do nome da cidade é incerta, e são várias as teorias que nos chegam deste a Antiguidade. A menos provável indica-nos que derivaria da palavra grega Ρώμη (Róme), que significa "bravura", "coragem". Mais provável é a ligação com a raiz *rum-, "seios", com possível referência a uma loba (em latim, lupa) que teria adotado os gêmeos Rómulo e Remo que, segundo se pensa, seriam descendentes dos povos de Lavínio. Rómulo mataria o seu irmão e fundaria Roma.

OS PRIMEIROS POVOS

Roma cresceu com a sedentarização dos povos no monte Palatino até outras colinas a oito milhas do mar Tirreno, na margem Sul do rio Tibre. Outra destas colinas, o Quirinal, terá sido, provavelmente, um entreposto para outro povo itálico, os Sabinos. Nesta zona, o Tibre esboça uma curva em forma de "Z" contendo uma ilha que permite a sua travessia. Assim, Roma estava no cruzamento entre o vale do rio e os comerciantes que viajavam de Norte a Sul pelo lado ocidental da península. A data tradicional da fundação (21 de abril de 753 a.C.[2]) foi convencionada bem mais tarde, no final da a República por Públio Terêncio Varrão[1], atribuindo uma duração de 35 anos a cada uma das sete gerações correspondentes aos sete mitológicos reis. Foram, no entanto, descobertas peças arqueológicas que indicam que a área de Roma poderá já ter estado habitada tão cedo quanto 1400 a.C.


O DOMÍNIO ETRUSCO

Após 650 a.C., os etruscos tornaram-se dominantes na península Itálica, expandindo-se para o centro-norte da região. Alguns historiadores modernos consideram que a este movimento estava associado o desejo de dominar Roma e talvez toda a região do Lácio, embora o assunto seja controverso. A tradição romana apenas nos informa que a cidade foi governada por sete reis de 753 a.C. a 509 a.C., iniciando-se com o mítico Rómulo que, juntamente com o seu irmão, Remo, teriam fundado Roma. Sobre os últimos três reis, especialmente Tarquínio Prisco e Tarquínio, o Soberbo, informa-nos ainda que estes seriam de origem etrusca — segundo fontes literárias antigas, Prisco seria filho de um refugiado grego e de uma mãe etrusca — e cujos nomes se referem a Tarquinia.

A REPÚBLICA ROMANA

República Romana é a expressão usada por convenção para definir o Estado romano e suas províncias desde o fim do Reino de Roma em 509 a.C. ao estabelecimento do Império Romano em 27 a.C.

No virar para o século V a.C., Roma uniu-se às cidades latinas como medida defensiva das incursões dos sabinos. Vencedora da batalha do Lago Regillus, em 493 a.C., Roma estabeleceu novamente a supremacia sobre as regiões latinas que perdera com a queda da monarquia. Após séries de lutas, a supremacia veio a consolidar-se em 393 a.C., com a subjugação dos volscos volsci e dos équos aequi. No ano anterior já teriam resolvido a ameaça dos vizinhos veios, conquistando-os. A potência etrusca estava agora confinada exclusivamente à sua própria região, e Roma tornara-se na cidade dominante do Lácio. No entanto, em 387 a.C., Roma seria saqueada pelos gauleses liderados por Breno, que já tinha sido bem-sucedido na invasão da Etrúria. Esta ameaça seria rapidamente resolvida pelo cônsul Marco Fúrio Camilo, que derrotou Breno em Tusculum pouco depois.

Para assegurar a segurança do seu território, Roma empenhou-se na reconstrução dos edifícios e tornou-se ela própria a invasora, ao conquistar a Etrúria e alguns territórios aos gauleses, mais a norte. Em 345 a.C., Roma voltou-se para Sul, a combater outros latinos, na tentativa de assegurar o seu território contra posteriores invasões. Neste quadrante, o seu principal inimigo eram os temidos samnitas que já haviam derrotado as legiões em 321 a.C.. Apesar desses e outros contratempos temporais, os Romanos prosseguiram a sua expansão casual de forma equilibrada. Em 290 a.C., Roma já controlava mais de metade da península Itálica e, durante esse século ainda, os romanos apoderaram-se também das poleis da Magna Grécia mais a sul.

Segundo a lenda, Roma tornou-se numa República em 509 a.C., quando um grupo de aristocratas expulsou Tarquínio, o Soberbo[1]. No entanto, foram necessários vários séculos até Roma assumir a forma monumental com que é popularmente concebida. Durante as Guerras Púnicas, entre Roma e o grande império mediterrânico de Cartago, o estatuto de Roma aumentou mais ainda, já que assumia cada vez mais o papel de uma capital de um império ultramarino pela primeira vez. Iniciada no século II a.C., Roma viveu uma significativa explosão populacional, com os agricultores ancestrais a trocarem as suas terras pela grande cidade, com o advento das quintas operadas por escravos obtidos durante as conquistas, as latifundia.

Em 146 a.C., os Romanos arrasaram as cidades de Cartago e Corinto, anexando
o Norte de África e a Grécia ao seu império e transformando Roma na cidade mais importante da parte ocidental do Mediterrâneo. A partir daqui, até ao final da República, os cidadãos iriam empenhar-se numa corrida de prestígio, suportando a construção de monumentos e grandes estruturas públicas. Talvez a mais notável tenha sido o Teatro de Pompeu, erigido pelo general Gneu Pompeu Magno (Pompeu), que era o primeiro teatro de caráter permanente alguma vez construído na cidade. Depois de César regressar vitorioso das conquistas gálicas e subsequente guerra civil com Pompeu, embarcou num programa de reconstrução sem precedentes na história romana. Seria, no entanto, assassinado em 44 a.C. com a maioria dos seus projetos ainda em construção.

O IMPÉRIO ROMANO

No final da República, a cidade de Roma ostentava já a imponência de uma verdadeira capital de um império que dominava a totalidade do Mediterrâneo. Era, na altura, a maior cidade do mundo e provavelmente a mais populosa cidade já construída até o século XIX. Estimativas dos picos populacionais variam entre menos de 500.000 e mais de 3,5 milhões, embora valores mais populares pelos historiadores variem entre 1 milhão e 2 milhões. A grandeza da cidade aumentou com as intervenções de Augusto, que completou os projetos de César e iniciou os seus próprios, como o Fórum de Augusto, e o Ara Pacis ("Altar da Paz"), em celebração do período de paz vivido na altura (Pax Romana), redefinindo também a organização administrativa da cidade em 14 regiões. Os sucessores de Augusto tentaram prosseguir essa linha edificadora deixando as suas próprias contribuições na cidade. O grande incêndio de Roma, durante o reinado de Nero, iria destruir grande parte da cidade mas, por sua vez, iria permitir e impulsionar uma nova vaga do desenvolvimento edificador.

É no contexto deste período que se dá os acontecimentos envolvendo a vida e o ministério do apóstolo Paulo.

A SOCIEDADE ROMANA


Os principais grupos sociais que se construíram em Roma eram os patrícios, os clientes, os plebeus e os escravos.
  • Patrícios: eram grandes proprietários de terras, rebanhos e escravos. Desfrutavam de direitos políticos e podiam desempenhar altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram os cidadãos romanos.
  • Clientes: eram homens livres que se associavam aos patrícios, prestando-lhes diversos serviços pessoais em troca de auxílio econômico e proteção social. Constituíam ponto de apoio da dominação política e militar dos patrícios.
  • Plebeus: eram homens e mulheres livres que se dedicavam ao comércio, ao artesanato e aos trabalhos agrícolas. Apesar da conotação do nome, havia plebeus ricos.
  • Escravos: Representavam uma propriedade, e, assim, o senhor tinha o direito de castigá-los, de vendê-los ou de alugar seus serviços. Muitos escravos também eram eventualmente libertados.
A ORIGEM DA IGREJA EM ROMA

Aos olhos humanos o evangelho não teria a mínima chance em Roma. O seu esplendor, imponência, poder e glória promoviam um certo ar de arrogância, prepotência e altivez. Parecia ser uma fortaleza intransponível em todos os sentidos.

Conforme Becker (2007, p. 468), o cristianismo expandiu-se do oriente para o ocidente. A origem dessa comunidade parece ser anterior a primeira missão de Paulo na Macedônia e na Grécia (At 16: 6-10), pois, em torno de 50 d.C., ele inicia uma amizade em Corinto (At 18:-4) com o casal Priscila e Áquila, provenientes de Roma. A comunidade de Roma seria, dessa forma, a primeira comunidade cristã que se teria notícias em solo europeu. Antes de 50 d.C. só havia cristãos na Palestina, Síria e Ásia Menor. Sendo assim, é provável que Roma tenha entrado em contato com o cristianismo por meio dessas regiões.

Stott (2003, p. 434) afirma que não se sabe como e quando o evangelho chegou a Roma e foi fundada uma igreja ali. Em seu comentário de Atos trabalha a hipótese de que alguns visitantes de Roma em Jerusalém por ocasião do Pentecoste (At 2:10) se converteram, e levaram o evangelho para casa. Seguindo essa hipótese, Pohl (1999, p. 19) escreve:

Na capital do império desenvolveu-se, no século I, o maior centro judaico do mundo antigo. Calcula-se que tivesse dezenas de milhares de membros. Foi possível comprovar a existência de pelo menos treze comunidades sinagogais na cidade. Mantinham um contato intenso com Jerusalém. As pessoas viajavam para lá e para cá como comerciantes, artesãos e, não por último, como peregrinos devotos (cf. At 2.10). Encaixa-se bem nesse quadro que nos cultos sinagogais em Roma aparecessem certo dia também judeus de Jerusalém que se haviam convertidos a Cristo. Confessaram sua fé, dando origem a um movimento cristão muito vivo. Desse modo o cristianismo em Roma originou-se da atuação de crentes para nós anônimos. No que concerne à época, caberá evidenciar em seguida que esses inícios remontam pelo menos já aos anos quarenta, ou seja, uma década inteira antes da primeira viagem missionária de Paulo. Não foi ele o primeiro missionário na Europa; nem foi em Filipos que se constituiu a primeira igreja européia.

A igreja em Roma era uma comunidade mista, constituída de judeus e gentios, onde o segundo grupo parecia prevalecer em número (Rm 1:5, 13; 11:13). Há sinais de conflitos entre os dois grupos, no que tudo indica, gerado por questões teológicas (Rm 14; 16:17-18) que envolvia o cristianismo judaizante e o cristianismo livre da lei (STOTT, 2007, p. 32-33).

O DESEJO DE PAULO DE VISITAR A IGREJA EM ROMA

O desejo de visitar Roma é algo manifesto nos escritos paulinos:

Porque não quero, irmãos, que ignoreis que, muitas vezes, me propus ir ter convosco (no que tenho sido, até agora, impedido), para conseguir igualmente entre vós algum fruto, como também entre os outros gentios. (Rm 1:13)

Essa foi a razão por que também, muitas vezes, me senti impedido de visitar-vos. Mas, agora, não tendo já campo de atividade nestas regiões e desejando há muito visitar-vos, penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia. Mas, agora, estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos. Porque aprouve à Macedônia e à Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém. Isto lhes pareceu bem, e mesmo lhes são devedores; porque, se os gentios têm sido participantes dos valores espirituais dos judeus, devem também servi-los com bens materiais. Tendo, pois, concluído isto e havendo-lhes consignado este fruto, passando por vós, irei à Espanha. E bem sei que, ao visitar-vos, irei na plenitude da bênção de Cristo. Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor, para que eu me veja livre dos rebeldes que vivem na Judéia, e que este meu serviço em Jerusalém seja bem aceito pelos santos; a fim de que, ao visitar-vos, pela vontade de Deus, chegue à vossa presença com alegria e possa recrear-me convosco. (Rm 15:22-32)

No texto acima podemos verificar algumas questões:

- O claro interesse de Paulo em visitar a igreja em Roma;

- O plano de Paulo que incluía uma viagem a Espanha, onde de passagem visitaria a igreja em Roma, isso após passar por Jerusalém e deixar lá uma oferta levantada na Macedônia e na Acaia para os pobres dentre os santos;

- A confiança de que chegaria em Roma debaixo da bênção e pela vontade de Deus, para alegremente recrear-se com os irmãos;- A consciência de que poderia enfrentar dificuldades em Jerusalém entre os "rebeldes", conforme fica claro em Atos 20:22-24:

E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.

O Espírito Santo sempre nos avisa e nos prepara para enfrentarmos as adversidades. Mesmo sabendo que iria sofrer nas mãos de seus adversários (sempre haverá adversários em nossa jornada ministerial e cristã), Paulo não se acovardou, não abriu mão de cumprir o propósito de Deus para a sua vida.

Chegando em Jerusalém, Paulo foi recebido com alegria pelos irmãos (At 21:17-19), que em seguida expressaram uma preocupação pelos boatos espalhados por alguns judeus convertidos (At 21:20-22). Na sequência dos fatos, Lucas (At 21:27-26:32) nos narra toda a oposição, prisão, interrogatórios e a decisão de Paulo em apelar para ser julgado em Roma (At 25:11-12; 26:32).

A esta altura é interessante deixar claro que o desejo de ir a Roma não era um mero capricho de Paulo. Tudo fazia parte de um propósito divino. Durante aqueles momentos difíceis, o Senhor Jesus deixou claro para Paulo que tudo estava sob o seu controle e debaixo da sua vontade:

Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma. (At 23:11)

Jesus disse numa visão que Paulo chegaria em Roma para lá testemunhar. Havia propósito. Você continua tendo visões espirituais e diretivas da parte de Deus? Jesus já disse onde você chegará? Disse onde pregará? Disse onde irá pastorear? Disse onde irá servi-lo? Fique certo que isso acontecerá. Basta apenas que você permaneça na vontade dele. Esse negócio "importa" para ele. Coragem!

A VIAGEM DE PAULO A ROMA
Os detalhes que envolve a viagem de Paulo a Roma estão narrados em Atos 27:1-28:31. Foi uma viagem repleta de imprevistos e perigos.

Entre os acontecimentos neste período destacam-se:

- O vento contrário que enfrentaram nas proximidades de Creta (27:7);

- As "advertências" (gr. parenei, admoestação, recomendação. O verbo no imperfeito indica uma ação que foi contínua) de Paulo (27:9-10) quanto aos perigos da viagem, que foram ignoradas pelo centurião que conduzia o grupo de prisioneiros (27:11). A experiência de Paulo com viagens marítimas de Paulo não foi considerada (2 Co 11.25);

- O tufão (gr. typhonikos), chamado Euroaquilão, termo composto por euros, o vento leste, e aquilo, do latim, o vento "norte" (STOTT, 2003, p. 439; KISTEMAKER, ibidem, p. 569, cf. Atos 27:14-20), que arrastou o navio com violência (v.15), deixando-o à deriva (v. 17). O navio podia estar à deriva, mas a vida e o destino de Paulo estavam na direção certa.

- A visão que Paulo teve durante a noite, em pleno navio, sobre a proteção de Deus naquelas circunstâncias (27:21-26). Diante do desespero e da ansiedade que tomou conta daqueles que estavam no navio, a postura firme e sóbria de Paulo fez a diferença. "Tenham bom ânimo", "não temas", foi a palavra de Paulo, firmada na promessa que lhe foi renovada de que ele chegaria à Roma, e de que nenhum daqueles que com ele se encontrava se perderia (27:24).

- Os milagres em Malta, onde ficou imune ante a picada de uma víbora (28:3-6), e onde orou pela cura do pai de Púbio e pelos enfermos da ilha(28:7-9). E meio às tribulações sofridas pela causa do evangelho ,Deus nos usa e nos honra para a glória dele (28:10).

- A chegada em Siracusa (28:12). A passagem por Régio e a chegada em Putéoli (28:13), um porto na baía de Nápoles, que fica a cerca de 193 km ao sul de Roma, onde de lá se chegava à Roma caminhando cerca de cinco dias. Nos tempos de Paulo, era um porto bem movimentado que vivia do comércio conduzido por Roma com o resto do mundo habitado. Alguns crentes que residiam em Putéoli foram se encontrar com Paulo. A comunidade cristã nessa cidade portuária pode ter surgido simultaneamente com a de Roma, quer seja por parte daqueles que retornaram de Jerusalém depois do Pentecoste por este porto (At 2:10), ou durante a expulsão dos judeus por Cláudio em 49 d.C. Paulo permaneceu a convite dos irmãos por sete dias em Putéoli, para em seguida se dirigir para Roma (KISTEMAKER, ibidem, p. 607-608).

Vento contrário, tufão, naufrágio, víbora, qualquer outro tipo de adversidade, obstáculo, impecilho ou barreira, não podem frustrar os planos de Deus para a nossa vida.

PAULO EM ROMA

Em Roma, após ser entregue ao general de dos exércitos, Paulo foi autorizado a morar sozinho, ficando sob a guarda de um soldado (28:16) e com correntes (28:20). Após três dias de sua chegada, Paulo convocou os principais dos judeus para expor a sua causa e testemunhar de Jesus. A sua fala e testemunho provocou uma grande contenda entre eles, pois alguns creram e outros não (28:17-29). Kistemaker (ibidem, p. 612) relata que:

Com base na informação fornecida pelos historiadores romanos e judeus (Suetônio, Tácito e Josefo), nós podemos estimar que uns 40 mil judeus viviam na cidade imperial na metade do século 1º. Pelas inscrições, sabemos que havia pelo menos dez sinagogas em Roma com líderes influentes. Esses líderes, então, se encontraram com Paulo para ouvirem-no sobre a razão de sua prisão.

Sobre os fatos que levaram Paulo a ser preso os líderes judeus nada sabiam (28:21). Sobre a Igreja (designada por eles de seita), afirmaram que em toda parte se falava contra ela (28:22). Foi dessa forma que a porta se abriu, para que em Paulo se cumprisse o propósito de Jesus.

A melhor estratégia de evangelização é aquela que o Senhor nos dá. Como o Senhor é tremendo! Os primeiros em Roma que ouviram o testemunho sobre Jesus dado por Paulo foram os líderes judeus, onde alguns creram (28:24). Quando líderes religiosos, políticos ou de qualquer outro segmento são alcançados pelo evangelho, ao se converterem acabam influenciando de alguma forma os seus liderados.

Paulo alugou umas casa, onde por dois anos recebia os irmãos que iam vê-lo (28:30). O livro de Atos termina relatando o trabalho de Paulo com o seguinte texto: "pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo" (28:31).

Kistemaker (ibidem, p. 626), faz uma excelente observação ao chamar a prisão domiciliar de Paulo de "Central de Missões", e trabalha com a hipótese de que alguns soldados que vieram a fazer a guarda de Paulo acabaram sendo evangelizados e se convertendo. Dessa forma, continua Kistemaker, estes soldados ao serem transferidos para outras atividades e localidades acabavam se tornando missionários, evangelizando e testemunhando para os seus oficiais, outros soldados, presos e familiares.

Stott (2003, p. 454-455) vai mais além e afirma crer que Paulo compareceu diante de Nero, se cumprindo assim a promessa de Jesus de ele chegar a Roma (23:11), e a segunda promessa de comparecer perante César (27:24), onde proclamou a Cristo fielmente na corte mais prestigiada do mundo, à pessoa mais prestigiada do mundo.

Lucas conclui o livro sem relatar a liberação de Paulo, as demais viagens que realizou, o seu segundo encarceramento, as epístolas escritas na prisão e sua morte. Duas correntes mais fortes, dentre algumas outras, existem sobre o fato:

- A primeira é a de que Paulo foi julgado e inocentado, ou o governo romano abriu mão do processo contra ele (SHERWIN-WHITE, p. 118-119 apud MARSHALL, 1982, p. 396). Stott (ibidem, p. 456-457) segue essa linha, alegando que as cartas pastorais evidenciam isso, e que ele reassumiu suas viagens por mais dois anos, antes de ser preso novamente, julgado, condenado e executado em 64 d.C.

- A segunda é a possibilidade de que Paulo foi julgado e executado a esta altura (final dos dois anos), mas que Lucas não quis registrar o seu martírio, visto que já dera indicações indiretas no decurso da narrativa de Atos 20:23-25; 38; 21:13; 23:11; 27:24 (Ibidem). Marshall considera o destino de Paulo aqui como uma questão secundária, e termina seu comentário com a declaração de que: "nada que os homens são capazes de fazer é suficiente para impedir o progresso e vitória final do evangelho". BOOR (ibidem, p. 370) diz que o destino de Paulo, diante do cumprimento das promessas e da pregação e testemunho do evangelho em Roma "não tem importância".

CONCLUSÃO

Neste caminhar ao destino que o Senhor estabeleceu para nós, nem sempre a forma e as circunstâncias são as que idealizamos ou planejamos. Pensamos de um jeito e Deus faz de outro. O jeito que Ele faz é sempre o melhor, mesmo que a princípio fiquemos confusos e até com dúvidas, mesmo que implique em grande sofrimento e tribulação para nós.

Não nos preocupemos como vamos chegar. Apenas confiemos e esperemos Nele.

Chegaremos e realizaremos a Sua vontade e propósito!

Coragem!

Ânimo!

REFERÊNCIAS

Bíblia de Estudo Almeida. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

BECKER, J. Apóstolo Paulo: vida, obra e teologia. São Paulo: Academia Cristã, 2007.

BOOR, Weiner de. Atos dos Apóstolos. Curitiba-PR: Esperança, 2003.

KISTEMAKER, Simon. Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. v.1

MARSHALL, I. Howard. Atos: Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

Novo Testamento interlinear grego-português. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.

POHL, Adolf. Carta aos romanos. Curitiba-PR: Esperança, 1999.

REGA, Lourenço Stelio; BERGMANN, Johannes. Noções do grego bíblico: gramática fundamental. São Paulo: Vida Nova, 2004.

Roma Antiga. Disponível em . Acesso em 22/03/2011

STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: Até os confins da terra. São Paulo: ABU, 2003.

___. A mensagem de Romanos. São Paulo: ABU, 2007.

WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. São Paulo: Vida, 1996.

Terminamos mais um trimestre.

Aproveito para agradecer as palavras de incentivo dos leitores que chegaram através dos comentários dos posts, enviadas por e-mail ou dadas pessoalmente, em nossas viagens para atender algumas agendas.

Continuo contando com as vossa orações.

Um forte abraço e até o próximo trimestre, se Deus quiser!

sexta-feira, 18 de março de 2011

AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO. Subsídio para Lição Bíblica 1º Trimestre/2011

Nesta 12ª Lição, que trata sobre as viagens missionárias de Paulo, devido a grandeza e extensão das mesmas (precisaríamos de um trimestre inteiro para estudá-las com maior profundidade e detalhes), me deterei em extrair lições práticas de alguns eventos.

COMISSIONADOS PELO ESPÍRITO SANTO

"
Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. " (Atos 13.1-4)

A chamada de Paulo e Barnabé para a obra missionária é um grande referencial para nós na atualidade. Observemos alguns princípios:


- E, servindo eles ao Senhor e jejuando

Paulo e Barnabé já estavam envolvidos com várias atividades na igreja, antes de serem comissionados para a obra missionária. Já testemunhei a "chamada" de pessoas para obra que não estavam envolvidos com nenhuma atividade na greja local, além de estarem acomodados em relação aos estudos e trabalho secular.

Há muitos na igreja querendo trabalhar em tempo integral apenas visando segurança e estabilidade financeira. Os homens e as mulheres de Deus que ao longo da Bíblia e da história foram chamados para grandes obras, estavam envolvidos com atividades diversas na igreja ou fora dela (Êx 3:1-10; Jz 6.:1-14; 1 Sm 16.1-13; Mt 4.:8-22, e etc). Deus chama trabalhadores para a sua obra, e não preguiçosos e acomodados.

Eles jejuavam com regularidade. Paulo e Barnabé eram mestres, que juntamente com os demais líderes e obreiros da igreja em Antioquia entendiam a importância espiritual do jejum. Oração e jejum são práticas necessárias para o equilíbrio entre intelectualidade e espiritualidade, saber e poder espiritual (Mt 6:16, 17:21, etc) .

- Disse o Espírito Santo

Nos dias atuais o Espírito Santo deixou de ser ouvido em muitas separações de obreiros e de líderes, para as mais diversas atividades na igreja. Quem "diz" agora, em muitos casos, não é mais o Espírito, mas as circunstâncias ou os interesses pessoais. A voz do Espírito está sendo sufocada, negligenciada e calada. A razão? Muitos dos que hoje são diáconos, presbíteros, evangelistas, pastores ou que exercem outras funções ou ministérios na igreja, nunca foram chamados e comissionados pelo Espírito, pois são escolhas de homens, feitas pelas mais diversas razões e interesses. Quem não é chamado pelo Espírito não servirá, não produzirá e não realizará a obra que apenas os vocacionados e capacitados por Ele podem realizar (Lc 4:18; At 10:38; 20:28, etc).

- Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado

No grego, a expressão "separai-me" (
aforisate de moi), literalmente "separai par mim", nos revela que a separação para a obra missionária, ou para qualquer outro ministério e serviço é uma separação "para" o Espírito, ou seja, o separado está agora sob o cuidado, orientação e à inteira e plena disposição do Espírito (At 16:6-10; 20:22-24 e etc). Como é bom quando temos a convicção de que foi o Espírito quem nos enviou ou nos comissionou para realizarmos a sua obra(At 13:4).

PAULO E BARNABÉ NÃO BUSCAM E NEM ACEITAM A GLÓRIA HUMANA

"Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios." (At 14.8-18)

Assim como nos dias de Paulo, multidões diariamente desejam "sacrificar" aos pregadores da atualidade. A mentalidade idólatra é a mesma. O pior é que muitos aceitam e promovem o sacrifício a si mesmos. Em vez de impedir as multidões, incentivam as mesmas. Quanto mais idolatrados, mas gostam, mas querem, mais desejam.

Em plena sociedade do espetáculo, influenciados por uma cultura narcísica, muitos pregadores buscam ansiosamente pela glória do púlpito, pela fama, pela glória humana.

Os referenciais bíblicos são mais uma vez necessários, para que toda uma geração de novos pregadores possa retornar à palavra, tendo-a como modelo e referência para o ministério da pregação.

Observemos também o exemplo de Pedro:

"No dia imediato, entrou em Cesaréia. Cornélio estava esperando por eles, tendo reunido seus parentes e amigos íntimos. Aconteceu que, indo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe aos pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem." (At 10.24-26)

Pedro, o primeiro a pregar após o derramar do Espírito em Pentecostes, com um ministério marcado por curas e libertações, ao ser recebido pelo centurião Cornélio, foi adorado pelo mesmo, mas não alimentou tal atitude, pelo contrário, ordenou que se levantasse, pois era homem tanto quanto ele, falho imperfeito e limitado. Pedro entendia que era a graça de Jesus que operava por sua vida. Hoje, ao contrário de Pedro e Paulo, muitos pregadores buscam adoradores para si mesmos.

Que os pregadores, missionários, pastores e demais líderes da atualidade possam aprender com os grandes exemplos de Pedro e Paulo.

A RUPTURA COM BARNABÉ

"Decorridos alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades em que temos anunciado a palavra do Senhor, para ver como vão. Ora, Barnabé queria que levassem também a João, chamado Marcos. Mas a Paulo não parecia razoável que tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os tinha acompanhado no trabalho. E houve entre eles tal desavença que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. E passou pela Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas." (Atos 15. 36-41)

Isso mesmo, Paulo e Barnabé se desentenderam e se separaram. Até homens de Deus se desentendem e se separam. Cada um seguiu o seu caminho. Qual dos dois foi o rebelde? Qual dos dois deixou de ser abençoado por Deus em razão da "divisão"? Qual dos dois era o menos espiritual?

Estou aqui fazendo apologia a qualquer tipo de desentendimento ou divisão? Deus me guarde disso! Sei que há na igreja milhares de divisões promovidas e mantidas por Satanás e seus demônios. Há ainda outras divisões, resultado do desejo cego de alguns homens pelo poder ou para tirar alguma vantagem pessoal da situação.

Há também divisões causadas e mantidas por uma vida de baixa moral e de péssimo testemunho por parte daqueles que fazem o "ministério" ou a "liderança". Há muitas igrejas que surgiram da ganância, da opressão e da arrogância de líderes inchados, sectários, pretensiosos, vaidosos e pedantes, que não respeitam o próximo, não sabem conviver com diferenças de opiniões, que não conversam e discutem, que tentam impor a força os seus caprichos ou pontos de vistas. A postura desses líderes, não apenas gera divisão, mas fomenta, alimenta e perpetua as já existentes.

A Bíblia nos recomenda: "se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;" (Rm 12.18)

EM DIREÇÃO À...

Um outro fato notório nos dias atuais é a abertura de alguns trabalhos, por certos líderes que afirmam estar na direção do Espírito. É vergonhoso o qua acontece no Brasil, quando igrejas são abertas com o claro interesse de se ganhar dinheiro ou por mera competição. Todos os dias, inclusive noticiado em plena televisão, os "donos" de algumas igrejas anunciam que estão abrindo novos trabalhos para "abençoar o povo de Deus" e "ganhar almas para Jesus".

Minha pergunta é bem direta: Por qual razão tais ministérios e líderes só abrem trabalhos nas principais cidades do país, nos melhores bairros e avenidas? Por quais motivos não abrem os trabalhos nas regiões economicamente carentes, geograficamente distantes e missionariamente esquecidas? A resposta é que buscam visibilidade. Estão a procura de grandes e lucrativos "negócios". Isso mesmo, igreja, para muitos já virou negócio faz tempo e são abertas como se abre uma loja ou um comércio qualquer. Tudo é pensado "estrategicamente". A visão não é a do Espírito, é a empresarial. É bem provável que você já tenha sido convidado para congregar ou contribuir financeiramente na qualidade de "sócio" de um destes ministérios e líderes.

Antigamente, nas Assembleias de Deus no Brasil, o trabalho se iniciava em localidades onde não havia ainda igrejas ou crentes, geralmente na casa de algum irmão. Hoje, nas Assembleias de Deus, o trabalho é aberto em lugares onde já há muitos crentes, onde já existe uma igreja estabelecida, bem organizada e atuante. Uma Assembleia de Deus é aberta ao lado ou bem próximo de outra.

Grandes templos são construídos, por pura vaidade, competição ou para dar "o troco". Os templos monumentais voltaram a ser símbolos do poder de quem os constrói, monumentos erguidos à memória de seus edificadores:

"Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra." (Gn 11.4)

"Ora, Absalão, quando ainda vivia, levantara para si uma coluna, que está no vale do Rei, porque dizia: Filho nenhum tenho para conservar a memória do meu nome; e deu o seu próprio nome à coluna; pelo que até hoje se chama o Monumento de Absalão." (2 Sm 18.18)

"falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade?" (Dn 4.30)

Precisamos de grandes espaços? Em alguns casos sim. Quanto isso acontecer, a construção não deve abusar do luxo.

Enquanto por aqui (nos grandes centros urbanos) dinheiro, energia e tempo são jogados no lixo pelo orgulho e vaidade humana, milhões no mundo não foram ainda alcançados pela obra missionária. Não ouviram a mensagem do Evangelho.

Que a direção do Espírito seja retomada por todos nós e urgentemente.

Que os princípios bíblicos voltem a orientar o nosso modelo de fazer missões.

Que o exemplo de abnegação, coragem, fé e poder de Paulo e Barnabé estejam presentes na vida de cada missionário.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O PRIMEIRO CONCÍLIO DA IGREJA DE CRISTO. Subsídio para Lição Bíblica - 1º Trimestre/2011

Lição 11 - 1º Trimestre de 2011
Texto Bíblico: Atos 15.6-12
Texto Áureo: Atos 15.28, 29

O QUE É UM CONCÍLIO?

Como bem definiu o pastor Claudionor de Andrade em seu Dicionário Teológico (CPAD, 1998, p. 88), um concílio é uma:

[...] reunião convocada pelos representantes de uma igreja para deliberar acerca de uma linha de ação comum e pugnar pela ortodoxia doutrinária. Em qualquer concílio eclesiástico, a Palavra de Deus deve ter em tudo a primazia. Caso contrário: o primado humano sufocará e acabará por extinguir a influência do Espírito Santo.

Na lição Bíblica 11 da CPAD, p. 79, a definição dada pelo mesmo autor ficou assim: "O concílio, por conseguinte, é uma reunião de representantes da Igreja, cujo objetivo é deliberar acerca da fé, doutrina, costumes e disciplina eclesiática".

Nestas duas definições, me chama a atenção um pequeno detalhe. Na primeira, concílio é uma reunião "convocada pelos representantes de uma igreja", enquanto na segunda, é uma reunião "de representantes". As duas definições se complementam.

No meio assembleiano o termo "concílio" não é utilizado. Geralmente se usa "assembleia ordinária" ou "assembleia extraordinária", e geralmente contempla apenas uma parte da liderança da igreja.

O CONCÍLIO NA PERSPECTIVA NEOTESTAMENTÁRIA

Na perspectiva do Novo Testamento, a questão que gostaria de levantar é: Quem são estes representantes? Na página 80 da Lição Bíblica, o pastor Claudionor de Andrade faz menção de três ocasiões onde os apóstolos se reuniram para decidir sobre algumas pendências na comunidade cristã. São elas, a eleição de Matias (At 1:12-26), a instituição do diaconato (At 6:1-15; e a decisão acerca das imposições dos judaizantes sobre os crentes gentios (At 15:6-30). Observemos algumas passagens dentro daquilo que quero inicialmente levantar:

Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembléia de umas cento e vinte pessoas) e disse:[...]. (At 1.15)

Quem foram os participantes desta assembleia? Os apóstolos e os "irmãos".

Observemos a segunda passagem citada:

Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. (At 6:2-6)

Quem convocou a comunidade dos discípulos? Os doze. Quem elegeu os diáconos? Toda a comunidade, sob a bênção e aprovação dos apóstolos (liderança da igreja).

Por quais razões, no meio assembleiano brasileiro, a "comunidade" não participa da escolha dos diáconos? Seria em razão do modelo de governo eclesiástico episcopal? De resíduos do clericalismo medieval? Da herança do coronelismo histórico brasileiro? Da influência do período da ditadura militar? Do modelo organizacional administrativo e piramidal? De uma interpretação bíblica equivocada? Penso que de tudo isso há um pouco.

Sinceramente? Há milhares de diáconos que nunca alcançariam tal posição, se dependesse da escolha da igreja. A razão? Homens que não preenchem os requisitos de Atos 6.3:

Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço;

Graças a Deus pelos diáconos que se enquadram no perfil bíblico, que não são apresentados por caprichos ou pelos interesses inescrupulosos de algumas lideranças.

Na terceira passagem citada, Atos 15.6-30, chamo a atenção para os versículos abaixo:

Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. [...] Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos, [...]. Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: [...]. (Atos 15: 6,22 e 28)

No Concílio de Jerusalém, quem participou da assembleia e das decisões? Os apóstolos e os presbíteros, com toda igreja. Havia também a presença de uma pessoa, que já não é convidada para algumas assembleias e reuniões na atualidade: O Espírito Santo.

Sem mais delongas, a comunidade e o Espírito Santo já não participam de grande parte das nossas assembleias, reuniões e convenções. Quando participam, ficam sem vez e voz. As suas opiniões não são mais relevantes àqueles cujos interesses não estão no Reino de Deus, mas em seus próprios "reinos" e "impérios".

OS CONCÍLIOS AO LONGO DA HISTÓRIA DA IGREJA

Para uma visão geral dos concílios, acesse o seguinte link: Wikipédia-Concílios

QUESTÕES ATUAIS

De 12 a 14 de Abril, será realizada na cidade de Cuiabá-MT, a 40ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil). Na ocasião serão tratadas algumas questões, dentre as quais:

1) Posicionamento da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) quanto à nulidade ou anulabilidade do casamento, união estável e concubinato, e a revisão do posicionamento acerca do divórcio, com leitura de parecer elaborado pela Comissão Especial designada na última Assembléia Geral Ordinária; 2) Ênfase aos princípios pentecostais, face à celebração do Centenário das Assembléias de Deus; 3) Perigos que ameaçam as Assembléias de Deus no Brasil: a) Mornidão; b) Modismos neopentecostais; c) Remoção dos marcos antigos; d) Omissão dos valores eclesiásticos.

Quem são os culpados pela mornidão na igreja? Já se ouviu a opinião da comunidade sobre isso? Já foi ouvida a voz do Espírito?

Modismos neopentecostais? Vamos tirar as fogueiras santas das Assembleias de Deus? As voltas em Jericó? A travessia do Mar Vermelho? Os mergulhos no Rio Jordão? Os cultos da vitória? Os cultos dos milagres? Os cultos da restituição? As determinações e decretos nas orações? O "eu profetizo" das pregações? A barganha dos dízimos e ofertas? A teologia da prosperidade? A teologia da conquista? Vamos resolver, ou simplesmente recomendar?

Remoção de "marcos antigos"? De quais "marcos antigos" vamos tratar? Dos usos e costumes? Da doutrina? Da liturgia? Da identidade? Que identidade? Ainda temos uma? Qual? Teremos mais recomendações, sem advertências e disciplinas?

Como tratar com um líder ou convenção assembleiana local, regional e estadual que não acredita na existência do inferno? Que entende que o falar em línguas não é a única evidência do batismo com o Espírito Santo? Que não acredita na trindade? Que banalizou o divórcio, e que possui um número considerável de obreiros divorciados pelos mais banais motivos? Como normatizar usos e costumes num país multicultural como o nosso? Vamos impor novas ou velhas regras?

Por quais valores eclesiásticos vamos lutar? Pela integridade? Pela justiça? Pela verdade? Pelo respeito ministerial? Pela honestidade? pela verdadeira união e comunhão? Vamos reunir as lideranças em litígio, ou vamos procrastinar soluções e fazer de contas que está tudo bem?

Na conclusão da Lição Bíblica está escrito: "Que o exemplo dos santos apóstolos mova a igreja de Cristo a livrar-se de toda briga local [...]". Que esse exemplo nos livre também das "brigas nacionais", abertas e escandalosas.

Na condição de denominação, onde e como estaremos nós no próximo Centenário (se Jesus não voltar antes)? Em parte, vai depender das respostas que daremos às questões acima levantadas.

Será que teremos nesta 40ª AGO, assim como acontece nos anos de eleições, a participação de mais de 10.000 inscritos para tratar e decidir sobre questões tão relevantes? Gostaria de estar errado, mas penso que não chegaremos nem perto deste número.

Oremos por concílios, reuniões ou assembleias proveitosas, que de fato resolvam, estando também abertas para ouvir toda a comunidade e a voz do Espírito.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O EVANGELHO PROPAGA-SE ENTRE OS GENTIOS. Subsídio para Lição Bíblica da CPAD - 1º Trimestre/2011

No Antigo Testamento o termo "gentio" origina-se do hebraico goyim, que significa "nações" ou "estrangeiros". Encontramos esse termo em passagens como: Gn 10:5; Jz 4:3; Is 11:10; Jr 4:7; Lm 2:9; Ez 4:13; Os 8:8, etc.

No Novo Testamento, os substantivos gregos ethnos e hellen são traduzidos por "gentios":

- ethnos: esse termo transmite a ideia de "multidão de pessoas da mesma natureza ou gênero; nação, povo". Conforme Vine (2003, p. 673), é utilizado no singular, acerca dos judeus, quando então é traduzido por "nação" (Lc 7:5; 23:2; Jo 11:48, 50-52); no plural, acerca de nações não judaicas (Mt 4:15; Rm 3:29; 11:11; 15:10; Gl 2:8); circunstanciamente, é empregado também para ser referir aos convertidos gentios em distinção dos judeus (Rm 11:13; 16:4; Gl 2:12, 14; Ef 3:1);

- hellen: originalmente foi utilizado acerca dos primeiros descendentes da Heliéia Tessália; mais tarde passou a indicar os gregos em oposição aos bárbaros (Rm 1:14). É usado também em relação aos gentios que falavam o idioma grego (Gl 2:3; 3:28).

ASPECTOS DO PLANO DE DEUS PARA OS GENTIOS REVELADO NO ANTIGO TESTAMENTO

A palavra "gentios" ou "nações", foi primeiramente aplicada sem distinção para as divisões entre os descendentes de Sem, Cam e Jafé (Gn 10:5, 20, 31).

Com a contínua corrupção e arrogância das nações (Gn 11:1-9), mesmo após a disciplina através do dilúvio, fez com que o Senhor escolhesse Abraão, para através de um grandioso e maravilhoso plano dar às nações uma nova oportunidade de serem alcançadas com o seu amor, sua graça e perdão:

Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gn 12.1-3)

Como bem escreveu Pate (1987, p. 8), a promessa de Deus a Abraão deu início a um novo capítulo na história da humanidade. Deus manteve o seu plano para a redenção dos indivíduos e das nações, apenas mudando de método. Ele se identificaria de maneira especial com o povo de uma nação específica (Israel), promovendo o crescimento desse povo e nação, determinando o seus sistema social e político, fazendo-os prosperar e livrando-os dos seus inimigos:

A promessa feita a Abraão: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra", é uma referência direta à vinda de Cristo, o Messias. Jesus Cristo, Filho de Davi, filho de Abraão, é o único por meio de quem todas as nações da terra podem ser abençoadas. De modo que, mesmo ao escolher a nação de Israel, Deus estava decidido a alcançar, levantar, elevar e redimir todos os povos da terra. (ibidem)

Bosch (2002, p. 37), interpreta os fatos acima citados, afirmando que:

[...] à medida que a compaixão de Javé se estende a Israel e além dele, torna-se gradativamente claro que, em última análise, Deus está tão preocupado com as nações quanto Israel. Com base em sua fé, Israel pode tirar duas conclusões fundamentais: visto que o Deus verdadeiro se deu a conhecer a Israel, ele só pode ser encontrado em Israel; e visto que o Deus de Israel é o único Deus verdadeiro, ele é também o Deus do mundo inteiro. A primeira conclusão enfatiza o isolamento e a exclusão do resto da humanidade; a segunda sugere uma abertura básica e a possibilidade de dirigir-se às nações (cf. Labuschagne, 1975, p. 9).

Ainda segundo Bosch (ibidem), no Antigo Testamento alguns aspectos positivos e escatológicos do plano de Deus para as nações podem ser vislumbrados. São eles:

- A espera e confiança das nações no Senhor (Is 51:5);
- A glória do Senhor será revelada a todas as nações (Is 40:5);
- Todas as extremidades da terra são conclamadas a olha para o Senhor e ser salvas (Is 45:22);
- Seu Servo será luz para os gentios (Is 42:6; 49:6);
- Uma estrada é construída do Egito e da Assíria até Jerusalém (Is 19:23);
- As nações encorajam umas e outras a subir a montanha do Senhor (Is 2:5) e levam presentes valiosos consigo (Is 8:7);
- O Egito será abençoado como povo de Deus, a Assíria como obra de suas mãos e Israel como a sua herança (Is 19:25);
- A expressão visível dessa reconciliação global será a celebração do banquete messiânico no monte de Deus, onde as nações contemplarão Deus com a face descoberta e a morte será tragada para sempre (Is 25:6-8).

Na medida que passamos do Antigo para o Novo Testamento, o plano de Deus para a salvação dos gentios fica mais claro e evidente.

ASPECTOS DO PLANO DE DEUS PARA OS GENTIOS REVELADO NO NOVO TESTAMENTO

No Evangelho de Mateus, mas do que em qualquer outro, as atividades de Jesus entre os gentios é enfatizada (HAHN, 1965, p. 103-11 apud BOSCH, 2002, p. 85). Num primeiro momento, os relatos parecem enfatizar o ministério de Jesus para com "as ovelhas perdidas da casa de Israel":

A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; (Mt 10:5-6)

Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. (Mt 15.21-26)

Nesse contexto, não há indícios de uma iniciativa missionária intencional de Jesus em relação aos gentios (BOSCH, ibdem, p. 87).

Acontece, que à medida que Mateus avança em sua narrativa, passa a relatar a participação dos gentios na vida e ministério de Jesus, e isso de forma significativa, ao citar as quatro mulheres não-israelitas em sua genealogia (cap. 1); a visita dos magos (2:1-12); no episódio que envolve o centurião de Cafarnaum declara a participação dos gentios à mesa no reino (8:5-13); no caso da mulher cananéia não omite o elogio que o Senhor lhe faz e a resposta ao seu pedido (15: 21-28) e a reação do centurião romano diante da crucificação (M7 27.54).

Mateus também trata de forma aberta sobre a pregação do Evangelho a todas as nações e povos (gr. panta ta ethne):

E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. (Mt 24:14)

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; (Mt 28:19)

É após a sua morte e ressurreição, que a comissão de pregar Evangelho com ousadia e sem reservas é dada claramente. No Evangelho de Marcos isso também é factual:

E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Mc 16:15)

Marcos também destaca a sua visita à província dos gadarenos, e a maneira como libertou um homem possuído por espírito imundo, que se tornou uma testemunha do seu poder em Decápolis (Mc 5:1-20).

No Evangelho de Lucas a missão ao gentios está implícita no episódio de Nazaré (ibdem, p. 118):

E prosseguiu: De fato, vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra. Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro. Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo. Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se. (Lc 4.24-30)

Jesus, comunicou entre outras coisas, que Deus não era apenas o Deus de Israel, mas também, e de igual modo, o Deus dos gentios (ibdem). Na "Grande Comissão" de Lucas, que na realidade é apresentada em forma de um fato e promessa, e não de mandamento, a pregação a todas as nações é também citada:

[...] e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. (Lc 24:46-47)

Em Atos dos Apóstolos a missão aos gentios é novamente citada por Lucas, seguida dos episódios que desencadeiam de uma vez por todas a inclusão da mesma na "agenda" missionária:

[...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. (At 1:8)

Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus. Então, perguntou Pedro: Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? (At 10:44-47)

Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor. (Atos 11:20-21)

Mas os judeus, vendo as multidões, tomaram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios. (At 13:45-46)

À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho. (At 16:9-10)

Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que ouvissem a palavra do Senhor,todos os habitantes da Ásia tanto judeus como gregos. (At 19:10)

[...] jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus [Cristo]. (At 20:20-21)

Nas epístolas, a mesma ênfase é dada, como por exemplo nos textos abaixo:

Porque não quero, irmãos, que ignoreis que, muitas vezes, me propus ir ter convosco (no que tenho sido, até agora, impedido), para conseguir igualmente entre vós algum fruto, como também entre os outros gentios. (Rm 1:13)

Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. [...] Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. (Gl 3:8, 28)

No livro de Apocalipse (5:8-10), os gentios são contemplados no cântico dos quatro seres viventes e dos vinte e quatro anciãos:

e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.

Estão presentes entre aqueles que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do cordeiro:

Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; [...] Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Ap 7:9, 14-17)

Diante de tudo isso, como bem escreveu Pate (ibdem, p. 7), o amor de Deus não se limita a uma raça, nação ou grupo cultural. Ele ama todos os povos. O amor de Deus ultrapassa todas as fronteiras, quer sejam geopolíticas, culturais, raciais ou linguísticas.

É fundamentada neste amor de Deus, manifesto a todos os povos, que a igreja inteira deve levar o evangelho inteiro para o mundo inteiro (BOSCH, ibdem, p. 28).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia de Estudo Almeida. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

BOSCH, David J. Missão transformadora: mudanças de paradgma na teologia da missão. São Leopoldo-RS: Sinodal, 2002.

CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5. ed. São Paulo: Hagnos, 2001.

PATE, Larry D. Missiologia: a missão transcultural da igreja. Miami, Flórida: Vida, 1987.

PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário VINE: o significado exegético e expositivos das palavras do Antigo e Novo Testamento. Trad. Luís Aron de Macedo. 2. ed. Rio de Janeiro, 2003.