quinta-feira, 19 de maio de 2011

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD - 3° TRIMESTRE/2011

A Lição Bíblica da CPAD do 3º Trimestre/2011 terá como tema "A Missão Integral da Igreja - Porque o Reino de Deus está entre vós". O comentarista será o pastor Wagner Tadeu Gaby.


Os assuntos semanais serão:

1. O Projeto Original do Reino de Deus
2. A Mensagem do Reino de Deus
3. A Vida do Novo Convertido
4. A Comissão Cultural e a Grande Comissão
5. O Reino de Deus Através da Igreja
6. A Eficácia do Testemunho Cristão
7. A Beleza do Serviço Cristão
8. Igreja - Agente Transformador da Sociedade
9. Preservando a Identidade da Igreja
10. A Atuação Social da Igreja
11. A Influência Cultural da Igreja
12. A Integridade da Doutrina Cristã
13. A Plenitude do Reino de Deus

O GENUÍNO CULTO PENTECOSTAL. Subsídio para Lição Bíblica da CPAD - 2º Trimestre/2011

O culto é uma das mais belas e antigas formas do homem expressar sua devoção, gratidão e adoração a Deus.

A Bíblia é o maior manual litúrgico em circulação. É nela que encontramos a principal fundamentação para a prática do culto cristão.A falta de conhecimento desta fundamentação, aliada ao descaso ou desinteresse quanto ao desenvolvimento histórico do culto, tem conduzido cristãos e igrejas, a se privarem de todas as bênçãos e privilégios deste tão solene ato, como também, ao desvio da simplicidade, verdade e espiritualidade, que sempre marcaram esta prática cristã. Em muitos lugares, a formalidade, a desordem e a irreverência, têm transformado o culto num mero encontro de pessoas, quando deveria, antes, ser um encontro de pessoas com Deus.

O CONCEITO DE CULTO CRISTÃO

Conceituar "culto cristão" será o primeiro passo em direção ao presente estudo. Vários pesquisadores, estudiosos e teólogos já propuseram as suas definições. Observemos algumas delas: “[...] é o encontro da comunidade com Deus” (KIRT, 1993, p. 12 apud FREDERICO, 2005, p. 20)

A definição acima implica que Deus é quem convida o seu povo a se reunir em dia, horário e local determinado. Dessa forma, Frederico (idem) declara que “se é Ele quem convida, temos certeza de que Ele não faltará a este encontro: ‘onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei (Mt 18.20)’”.

Por conseguinte, ainda segundo a autora, o culto não é:

- Uma reunião qualquer, como a de uma associação de moradores de um bairro, em que as pessoas interessadas discutem os problemas comuns ou planejam diversas atividades para o bem do grupo ou da organização;

- Um show, como se vê na televisão, com atrações variadas, apresentações pessoais e coletivas, com um apresentador famoso tentando ganhar pontos no Ibope através de seu desempenho, diante de seus espectadores passivos e satisfeitos com a programação;

- Um momento para se prestar homenagens a personalidades, nem para comemorar e celebrar qualquer data comemorativa do calendário secular;

- Uma obrigação semanal, onde a ausência no mesmo pudesse implicar em algum tipo de punição ou cobrança;

- Uma reunião secreta, repleta de mistérios, envolta em ritos não-compreensíveis, embora possa haver cerimônias que não sejam entendidas por aqueles que não frequentam com regularidade a comunidade cristã local.

Outras definições de culto podem ser encontradas em White (2005, p. 14-24). Em sua intenção de examinar as várias maneiras como os pensadores cristãos falam sobre culto, em seu estudo comparativo, entendeu que a melhor maneira de se entender o significado de um termo é observando-o em seu uso cotidiano. Dessa forma, foram observados os posicionamentos de pensadores protestantes, ortodoxos e católicos. Para White, as variações do uso do termo não se excluem, antes, ao se sobreporem, cada uso acaba acrescentando novas percepções e dimensões, se complementando.

Escrevendo a partir da tradição metodista, o professor Paul W. Hoon contribuiu de maneira bastante significativa através de seu livro The Integrity of Worship, publicado em 1971, afirmando que o culto cristão se relaciona diretamente com os eventos da história da salvação. Cada evento nesse culto está ligado ao tempo e a história enquanto cria pontes para eles e os traz para o nosso atual contexto. O culto seria um lugar onde Deus age para dar sua vida ao ser humano e para conduzir o ser humano a participar dessa vida. Haveria certa interação entre Deus e o homem, onde o primeiro comunicaria seu próprio ser ao ser humano, tendo por parte do segundo uma atitude responsiva. Entre o homem e Deus estaria Jesus Cristo, a auto-revelação do Pai e aquele por quem o Pai recebe nossas emoções, palavras e ações.

Peter Brunner (apud WHITE, p.15-17), teólogo luterano, em sua obra Worship in the Name of Jesus, usa o termo alemão Gottesdient, que tem conotação com o serviço de Deus aos seres humanos, e com o serviço dos seres humanos a Deus. Brunner cita Lutero, que acerca do culto disse: “que nele nenhuma outra coisa aconteça exceto que nosso amado Senhor ele próprio fale a nós por meio de sua santa palavra e que nós, por outro lado, falemos com ele por meio de oração e canto de louvor”. Para Brunner há uma dualidade no culto encoberta por um foco único, que é a ação divina em se nos doar quanto em instigar nossa resposta às suas dádivas graciosas.

Evelyn Underhill, anglo-católica, em seu clássico estudo Worship em 1936, afirmou que “o culto, em todos os seus graus e tipos, é a resposta da criatura ao Eterno.” Outras características do culto cristão seriam o seu condicionamento pela crença cristã, pela crença sobre a natureza e a ação de Deus resumidas no dogma da trindade e da encarnação e em seu caráter social e orgânico, o que faz do culto um empreendimento coletivo, e nunca solitário.

O professor ortodoxo Georg Florvsky, enfatizou que “O culto cristão é a resposta dos seres humanos ao chamado divino, aos prodígios de Deus, culminando no ato redentor de Cristo”. Para ele, como cristão precisamos da comunidade, visto que a existência cristã é essencialmente comunitária. O culto seria uma das manifestações da vida cristã comunitária, onde em resposta à obra de Deus passada e presente, manifestações de louvor e adoração sinalizam um grato reconhecimento pelo grande amor e pela bondade redentora de Deus.

As idéias de Florvsky foram reforçadas por um outro teólogo ortodoxo, Nikos A. Nissiotis, através da declaração de que “O culto não é primordialmente iniciativa do ser humano, mas ato redentor de Deus em Cristo por meio do seu Espírito”.

O “culto cristão”, sob uma perspectiva pentecostal, poderia ser definido como: O ajuntamento solene da Igreja, com fins de adorar a Deus mediante a liturgia, associada aos elementos comuns de cada cultura popular ou denominacional, aberto a livre manifestação da ação e dos dons do Espírito com decência e ordem (1 Co 14.26, 40).

OS TERMOS UTILIZADOS PARA DEFINIR “CULTO”

Na Bíblia encontramos alguns termos usados para definir “culto”. São eles:

- ‘abida – Termo hebraico que originalmente significava trabalho, ritual, adoração. Os usos dessa palavra em Esdras se referem ao trabalho feito na reconstrução do templo em Jerusalém (Ed 4.24; 5.8; 6.7),bem como as atividades em geral de sacerdotes e levitas, as quais, em associação com o ritual e a adoração espiritual (Ed 6.18), constituem serviço a Deus (Ex 3.12; Dt 6.13; 11.13; Sl 100.2).

- Latreia – Substantivo grego, usado nas diversas situações de um trabalho ou serviço assalariado. Posteriormente foi incorporado à prática cristã de cultuar, ou seja, prestar um serviço a Deus, adorá-lo (Mt 4.10; Rm 12.1).

- Proskunein – Termo grego que no AT significava “curvar-se”, tanto para homenagear homens importantes e autoridades (Gn 27.29; 37.7-10; I Sm 25.23), como para adorar a Deus (Gn 24.52; 2 Cr 7.3; Sl 95.6). No NT denota exclusivamente a adoração que se dirige a Deus (At 10.15-26; Ap 19.10; 22.8-9).

- Leitourgia – A palavra é originária do grego. Literalmente, significa serviço público (leitos=público, Ergon=trabalho). Conforme Andrade (Manual da Harpa Cristã, p. 19)


Na Antiga Grécia, o termo era usado para designar uma função administrativa num órgão governamental. Desde sua origem, por conseguinte, a liturgia tem uma forte conotação com o serviço que os súditos devem prestar ao rei. O termo passou, com o tempo, a designar o culto público e oficial da Igreja Cristã. Hoje, é definido como a forma pela qual um ato de adoração é conduzido.


Esses termos nos ajudam a perceber a natureza e o caráter do culto cristão.

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA DO CULTO NO ANTIGO TESTAMENTO

É no Antigo Testamento que encontramos as primeiras referências ao culto:

- O Culto na Família (Gn 4.1-5; 26; 8.18-21; 13.1-4; Ex 12.1-21; Dt 6.4-9; 11.18-21). As primeiras narrativas bíblicas que envolvem o culto se dão na família. Em Gênesis 4.3-5 lemos sobre o culto na dimensão pessoal, onde o que cultua, aquele que é cultuado e o elemento oferta estão presentes. Este primeiro episódio nos ensina um princípio que vai nortear todo o culto no Antigo Testamento, e que servirá de base para o culto no Novo Testamento: A aceitação do culto depende primeiramente daquilo que o Senhor percebe na vida (interior e exterior) daqueles que prestam o culto (Is 1.10-17). Da vida pessoal, o culto no Antigo Testamento avança para a vida familiar (Ex 12.1-21), comunitária e nacional. A rigidez cerimonial é marcante a partir deste período.

- O Culto no Tabernáculo (Ex 25-40). Com a construção do tabernáculo, em pleno deserto, Deus começa a preparar o povo para um culto no nível comunitário, com elementos e uma liturgia marcada por muitos elementos simbólicos. Além dos cultuadores, do cultuado e das ofertas, temos agora presente um espaço litúrgico definido, e os ministros/sacerdotes com uma função mediadora. No Pentateuco vamos encontrar também o estabelecimento de várias festas cerimoniais, que possuem um papel comemorativo e pedagógico, visto que lembram eventos passados e que servem de base para a exortação das novas gerações (Lv 23).

- O Culto no Templo (2Sm 7.1-17; I Rs 6-8). Já estabelecidos na terra prometida, é sobre o reinado de Davi que a construção do templo é idealizada (1 Cr 22.6-19). Com o templo, um sistema de organização é estabelecido para que em nada o culto seja prejudicado. Neste sistema estão presentes os levitas (1 Cr 23), os sacerdotes (1 Cr 24), os cantores (1 Cr 25), os porteiros (1 Cr 26) e os tesoureiros (1 Cr 26.20-28).

- O Culto na Sinagoga. Não encontramos menção no Antigo Testamento sobre o culto na sinagoga. Conforme Packer, Tenney e White Jr. (1988, p. 82): “O mais provável é que os judeus exilados criaram a sinagoga quando se reuniam para orar, cantar, e discutir a Tora enquanto viviam em terras estranhas. Depois que voltaram do Exílio, fizeram da sinagoga uma instituição formal”.

Observamos desta forma, que o sistema cúltico no Antigo Testamento se tornou ao longo dos séculos bastante organizado, complexo e formal. Percebe-se ao longo da narrativa bíblica, que quanto mais o povo se afastava de Deus, menos significativo ficava o culto. Esse descaso do povo para com Deus, sua Palavra e o culto culminou com a destruição do próprio templo (2 Rs 25.8-18).

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA DO CULTO NO NOVO TESTAMENTO

O culto no Novo Testamento recebeu forte influência da sinagoga, assimilando muitos de seus elementos, para posteriormente estabelecer uma característica própria. Não encontramos no Novo Testamento nenhum manual litúrgico ou tratado sistemático sobre o culto cristão. Apesar disso, Harpprecht (1998, p. 120-121) nos aponta três relevantes passagens a seu respeito:

- Mt 8.20: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Nesse texto se destacam a acessibilidade livre e generosa do Senhor Jesus, que se permite ser encontrado pela comunidade cristã onde e quando quiser, além da comunidade reunida em seu nome ser p sinal por excelência da presença de Deus entre nós.

- 1 Co 11.24 e 25: “e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”. Reproduzindo as palavras de instituição da Ceia, Paulo nos escreve oferecendo mais um aspecto da fundamentação bíblica para o culto cristão: Deus quer que sua comunidade se encontre com ele. Para possibilitar tal desejo, um rito foi instaurado.

- At 2.42-47: Esse texto descreve sucintamente a vida da igreja em Jerusalém, onde se pode observar o destaque dado ao ajuntamento dos crentes e ao partir do pão, indicando que a celebração da Ceia era um ato cúltico bastante frequente: “Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singileza de coração [...]” (v. 46).

As condições iniciais da formação da Igreja, associada à falta do espaço litúrgico cristão, fizeram que com as reuniões fossem celebradas nas casas (At 2.46b; 16.40; 20.20; Rm 16.5; I Co 16.19; Cl 4.15, etc.), nos pátios do templo judaico (At 2.46b), às margens de rios (At 16.12-15) e em prisões (At 16.25).

DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO CULTO CRISTÃO

O desenvolvimento histórico do culto cristão é descrito por Gonzalez (1980, vol. 1, p. 151 a 154), que nos informa do fato de que é através de uma série de documentos antigos preservados até hoje, que temos a possibilidade de saber como os antigos cristãos celebravam a comunhão. Algumas características comuns formaram parte de todas as reuniões de comunhão.

A comunhão era uma celebração. O gozo e a gratidão era uma característica presentes nos cultos. A comunhão era celebrada em meio de uma refeição, onde cada um trazia o que podia. Após compartilharem os alimentos, oravam pelo pão e pelo vinho. No princípio do século segundo, possivelmente em razão das perseguições e das calúnias que circulavam acerca das “festas de amor” dos cristãos, a comunhão passou a ser celebrada sem a refeição em comum. Tal fato não fez cessar o espírito de celebração das primeiras reuniões.

É ainda por esse tempo, que o culto de comunhão constava de duas partes. Na primeira liam-se e comentavam-se as Escrituras (culto homilético), faziam-se orações e cantavam-se hinos. A segunda parte do culto começava geralmente com o ósculo (beijo de cumprimento) santos da paz. O pão e o vinho eram trazidos para frente e eram apresentados a quem presidia. Em seguida, era pronunciada pelo presidente uma oração sobre o pão e o vinho, na qual se recordavam os atos salvíficos de Deus e se invocava a ação do Espírito Santo sobre o pão o vinho. Depois se partia o pão, os presentes comungavam, e se despediam com a benção. A esses elementos comuns, em diversos lugares e circunstância, acrescentavam-se outros.

Nesta época, só podia participar do culto quem tivesse sido batizado. Os que vinham de outras congregações podiam participar livremente, sempre e quando estivessem batizados. Aos convertidos que ainda não tinha recebido o batismo, era concedido assistir à primeira parte do culto, que consistia das pregações e orações. Após esse momento, se retiravam antes da celebração da comunhão propriamente dita.

Desde muito cedo surgiu também o costume de celebrar a comunhão nos lugares onde estavam sepultados os fiéis já falecidos. Esta era a função das catacumbas. As catacumbas eram cemitérios e sua existência era conhecida pelas autoridades, pois não eram apenas os cristãos que tinham tais cemitérios subterrâneos. Mesmo que em algumas ocasiões os cristãos tinham utilizados algumas das catacumbas para se esconder dos perseguidores, a principal razão pela qual se reuniam nelas era que ali estavam enterrados os heróis da fé. Acreditava-se que a comunhão unia, não apenas os crentes vivos e mortos entre si, mas também ao Senhor Jesus Cristo, e aos seus antepassados na fé. No caso dos mártires, existia o costume de se reunir junto a suas tumbas no aniversário de sua morte para celebrar a comunhão. Esta seria a origem da celebração das festas dos santos, que em geral se referiam, não aos seus natalícios, mas sim às datas de seus martírios.

A Igreja, como já observamos, se reunia principalmente nas casas. Com o crescimento das congregações, algumas casas foram dedicadas exclusivamente ao culto cristão. Assim, por exemplo, um dos mais antigos templos cristãos que se conserva, o de Dura-Europo, construído antes do ano 256, parece ter sido uma casa particular convertida em igreja.

A história da igreja teve como um dos seus grandes marcos a conversão de Constantino. No que se refere ao seu impacto sobre o culto cristão, continuaremos a citar Gonzalez (idem, vol. 2, p. 37 a 39), que nos informa que até a época de Constantino o culto cristão tinha sido relativamente simples. No princípio os cristãos se reuniam para adorar em casas particulares. Depois começaram a se reunir em cemitérios, como as catacumbas romanas. No século terceiro já havia lugares dedicados especificamente para o culto.

Após a conversão de Constantino o culto cristão começou a sentir a influência do protocolo imperial. Foi introduzido o incenso, utilizado até então no culto ao imperador. Os ministros que oficiavam no culto começaram a usar vestimentas litúrgicas ricamente ornamentadas durante o mesmo, em sinal de respeito pelo que estava tendo lugar. Surge também o costume de iniciar-se o culto com uma procissão.

Em razão das comemorações dos aniversários da morte dos mártires celebrando a ceia no lugar onde ele estava enterrado, posteriormente foram construídas igrejas em muitos desses lugares. Sem demora as pessoas passaram a pensar que o culto teria significado especial se celebrado em uma dessas igrejas, por causa da presença das relíquias do mártir, ou seja, de parte do seu corpo ou objeto que lhe pertenceu. Os mártires começaram a ser desenterrados para colocar seu corpo – ou parte dele – sob o altar de várias das muitas igrejas que estavam sendo construídas. Simultaneamente, algumas pessoas começaram a afirmar que tinham recebido revelações de mártires, além de lhes atribuir poderes miraculosos. A veneração e a adoração aos santos nascem destas práticas.

As igrejas construídas no tempo de Constantino e dos seus sucessores, nada tinham em comum com a simplicidade dos primeiros espaços litúrgico. Constantino mandou construir em Constantinopla a igreja de Santa Irene, em honra à paz. Helena, sua mãe construiu na Terra Santa a igreja da Natividade e a do Monte das Oliveiras. Muitas outras foram construídas nas principais cidades do Império. Essa política foi seqüenciada pelos sucessores de Constantino. Seguindo a prática dos imperadores romanos, quase todos eles tentaram perpetuar sua memória construindo grandes obras, no caso aqui, igrejas suntuosas. Praticamente todas as igrejas construídas por Constantino e seus sucessores mais imediatos desapareceram. Documentos por escrito e restos arqueológicos nos restaram para formarmos uma idéia da planta comum destes templos. E como padrão estabelecido no século IV perdurou por muito tempo, outras igrejas posteriores, que existem até os dias de hoje, ilustram o estilo arquitetônico da época.

A forma típica das igrejas de então, porém, é chamada “basílica”, e já era usado para designar os grandes edifícios públicos e privados – que consistiam principalmente de um grande salão com duas ou mais filas de colunas. Uma vez que tais edifícios serviram de referência e modelo para a construção das igrejas nos séculos quarto e seguintes, estas receberam o nome de “basílicas”.

CORRESPONDENTES DO CULTO CRISTÃO NA TRADIÇÃO CATÓLICA

Conforme já observado, as mudanças acontecidas nos primeiros séculos da história da igreja influenciaram não somente a estrutura dos templos, como também a liturgia do culto. É exatamente neste período que se desenvolve a missa com todo o seu ritual e elementos litúrgicos, que enfatizaram a estética e a pompa dos cultos, não sendo suficientemente capazes de manterem a verdadeira espiritualidade da adoração à Deus.

Segundo Champlin (1991, vol. 4, p. 303), o termo missa vem do latim. Comumente aplicado à eucaristia [termo derivado do grego eucharistia, “agradecimento”, passou posteriormente a significar a cerimônia da ceia, por parte do catolicismo ocidental. A origem do nome é incerta, mas os eruditos supões que vem das palavras latinas, Ite, missa est, “Ide, estais despedidos”, que o diácono pronuncia no fim da cerimônia [...].

O fundamento teológico católico para a missa, resume-se nas palavras do Concílio Vaticano II:


Por ocasião da última Ceia, na noite em que foi traído, nosso Salvador instituiu o sacrifício eucarístico de seu corpo e de seu sangue. Ele fez isso para perpetuar o sacrifício da cruz através dos séculos, até que ele volte, tendo confiado à sua amada Esposa, a Igreja, um memorial de sua morte e ressurreição, um sacramento de amor, um sinal de unidade, um vínculo de amor, um banquete pascal no qual Cristo é consumado, a mente é cheia de graça e nos é dada uma garantia de glória futura (Concílio Vaticano II apud CHAMPLIN, idem).

O CULTO CRISTÃO E A HERANÇA REFORMADA

A Reformar Protestante pode ser caracterizada por uma mudança na doutrina, na vida e no culto. Lutero proclamava a rejeição da missa romana, dentre outras razões, pelo fato de contradizer a sã doutrina e enaltecer a mera formalidade do culto, desassociando-o do seu verdadeiro propósito.

A missa no papado deve ser considerada a maior e mais horrível abominação, porque ela entra em conflito direto e violento com o artigo fundamental [de Cristo e fé]. Contudo, acima e além de todas as outras, ela tem sido a suprema e mais preciosa das idolatrias papais [...] Visto que tais abusos múltiplos e indescritíveis tenham surgido em toda parte pela compra e venda de Missas, seria prudente passar sem a Missa, mesmo que não fosse por outro motivo senão o de cortar tais abusos (LUTERO, 1647, cap. XV.iii apud GOFREY, 1999, p. 156).

Assim como Lutero, João Calvino censurou veementemente a prática da missa romana:

Quando Deus levantou Lutero e outros, que ergueram uma tocha para nos iluminar a entrada ao caminho da salvação, e que, por seu ministério, fundaram e ergueram nossas igrejas, estavam em parte obsoletos aqueles cabeçalhos doutrinários nos quais está a verdade da nossa religião, aqueles nos quais a salvação dos homens está inclusa. Mantemos que o uso dos sacramentos estava de várias maneiras viciado e poluído. E mantemos que o governo da Igreja estava convertido numa espécie de tirania infame e insuportável (CALVINO, 1960, p. 167 apud GOFREY, 1999, p. 157).

A partir da Reforma Protestante, com o advento do denominacionalismo, surgido em razão de divergências doutrinárias, o culto cristão passou a ter dentro de cada denominação evangélica, uma liturgia própria, influenciada por fatores culturais e doutrinários. Apesar desta diversificação litúrgica, o culto cristão geralmente contém os seguintes elementos; a oração, a música, a leitura da Bíblia, o ofertório, a explanação da palavra e a benção apostólica.

LITURGIA DO CULTO CRISTÃO NAS IGREJAS PENTECOSTAIS

Nas igrejas pentecostais o culto cristão, nas suas variadas formas, dependendo da finalidade do mesmo (oração, doutrina, ação de graças, Santa Ceia, Ordenação de Obreiros, etc), a principal característica é a livre manifestação dos dons espirituais e das expressões espontâneas da comunidade.

Basicamente, as reuniões acontecem da seguinte forma:

- Abertura com uma oração realizada pelo dirigente do culto, ou por alguém por ele delegado;
- Cântico de hinos do hinário oficial (Harpa Cristã);
- Cânticos de hinos por grupos, conjuntos musicais, corais e solistas;
- Leitura Bíblica, feita com a congregação em pé, seguida de oração;
- Recolhimento dos dízimos e das ofertas, geralmente acompanhado por um cântico;
- Pregação ou ensino da Palavra, costumeiramente seguido de apelo;
- Agradecimentos e avisos gerais;
- Oração final;
- Bênção apostólica;

Os elementos acima nem sempre seguem a sequência descrita, podendo ter diversas variações dependendo da denominação e da região onde o culto é celebrado. Não há uniformidade rígida na liturgia pentecostal.

MODISMOS LITÚRGICOS INTRODUZIDOS NO CULTO CRISTÃO PENTECOSTAL

A negligência para com o ensino teológico promoveu alguns males nas igrejas pentecostais, dentre as quais as Assembleias de Deus, onde a vulnerabilidade para modismos doutrinários, teológicos e litúrgicos é notória. Observemos uma breve lista que envolve algumas inovações (ou imitações do movimento neopentecostal):

- Cultos de “milagres” (inclusive nos círculos de oração) com nomes ou desafios específicos (As fogueiras santas, As voltas em Jericó, A travessia do Mar Vermelho, Os mergulhos no Rio Jordão,etc.);

- Os cultos semanais da vitória, da conquista, do milagre, da restituição, etc. (mera imitação do que acontece nas Igrejas Universais do Reino de Deus e outras semelhantes);

- As determinações e decretos nas orações públicas (teologia e liturgia triunfalista);

- O modismo do "eu profetizo" e do “eu determino” dos pregadores e das pregações;

- A vergonhosa barganha dos dízimos e ofertas, fundamentada na teologia de alguns televangelistas que difundem a distorcida teologia da prosperidade e da vitória financeira com as suas semeaduras descabidas, com o cínico propósito de manter status e impérios pessoais em nome da pregação do Evangelho.

CONCLUSÃO

Apenas uma fundamentação genuinamente bíblica, associada ao propósito de somente glorificar a Deus, pode estabelecer, promover e restaurar o verdadeiro culto critão, e no caso aqui, os praticados nas igrejas pentecostais, e de forma mais específica, nas Assembleias de Deus no Brasil.

BIBLIOGRAFIA

ANDRADE, Claudionor Côrrea de. Manual da Harpa Cristã. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1999.

CHAMPLIN, R.N. Enclicopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, 2001, v. 4

GONZÁLES, Justo L. E até aos confins da Terra: uma história ilustrada do Cristianismo. Tradução de Hans Udo Fuchs. São Paulo: Vida Nova, 1995. v. 1 e v. 2

SCHNEIDER-HARPPRECHT, Christoph (Org.). Teologia Prática no contexto da América Latina. São Leopoldo: Sinodal, ASTE, 1998.

HARRIS, R. Laird et al. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Tradução Márcio Loureiro Redondo, Luiz Alberto T. Sayão, Carlos Osvaldo C. Pinto. São Paulo: Vida Nova, 1998.

PACKER, J. I.; TENNEY, Merril C.; WHITE JR., William. O mundo do Novo Testamento. Flórida, EUA: Editora Vida, 1988.

WHITE, James F. Introdução ao Culto Cristão. Tradução de Walter Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 1997.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

OS DONS DE PODER (1). Subsídio para Lição Bíblica da CPAD - 2º Trimestre/2011

"[...]a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; [...]. (1 Co 12.9, 10a, ARA)

Os dons de poder envolve a fé (gr. pistis), os dons de curar (gr. charismata iamaton) e as operações de milagres ou maravilhas (gr. evergemata dunameon).

Assim como trabalhamos com os dons de revelação ou saber, apresentaremos várias perspectivas de estudiosos e da literatura pentecostal.

O Dom da fé

Não se trata da fé para salvação, mas de uma fé sobrenatural especial, comunicada pelo Espírito Santo, capacitando o crente a crer em Deus para a realização de coisas extraordinárias e milagrosas. É a fé que remove montanhas (1 Co 13.2) e que frequentemente opera em conjunto com outras manifestações do Espírito, tais como as curas e os milagres [...]. (Bíblia de Estudo Pentecostal, 1995, p. 1756)

Partindo dos pensadores e estudiosos pentecostais, nossa exposição considerará o fator cronológico da publicação de suas obras.

Gee (1985, p. 47-48), entende ser significativo que a fé se encontre em primeiro lugar nesse grupo, pois é o dom básico de todos os outros dons de poder. O dom da fé não deve ser confundido com a fé comum, citada em Hebreus 11.6, e sem a qual é impossível agradar a Deus. Embora a fé comum é também uma dádiva de Deus (Ef 2.8). O dom da fé, conforme Gee, parece que se manifesta sobre alguns servos de Deus, em tempos de crise ou oportunidades extraordinárias. É um magnífico dom, que está presente entre os mais simples servos de Deus.

Na abordagem de Gee sobre o dom da fé, há elementos que sinalizam a sua compreensão de que este dom operou antes do batismo com o Espírito Santo. Ele cita o caso que envolveu Elias (1 Rs 18.33-35), como um dos exemplos mais notáveis "desse revestimento especial de poder". Para Gee:

[...] existe uma ligação íntima entre os dons sobrenaturais do Espírito e o batismo com o Espírito Santo. Os dons espirituais constituíam um dos resultados esperados daquela bênção na vida coletiva e na atividade das assembleias. Estes dons enriqueciam as reuniões das assembleias. Estes dons enriqueciam as reuniões das igrejas, e eram o resultado dos crentes estarem individualmente cheios do Espírito Santo. (Ibid., p. 13)

Percebe-se no texto de Gee, que há uma aparente contradição e confusão em sua exposição acerca da manifestação dos dons manifestarem-se antes ou depois do batismo com o Espírito Santo. Escrevendo sobre a palavra da sabedoria, Gee (Ibid., p. 32-36), afirma que aquele dom se encontra registrado na lista de manifestações do Espírito Santo, é parte peculiar do revestimento de poder do Alto, que desce sobre os crentes somente ao receberem o Espírito Santo. Já no caso do dom da fé, cita Elias como um exemplo notável da manifestação deste dom.

Para Conde (1985, p. 105), este dom se manifesta ainda hoje entre o povo pentecostal:

Conhecemos missionários, missionárias e evangelistas, que exercitaram o dom da verdadeira fé, quando saíram para os campos a trabalhar, sem a promessa de auxílio quer de igrejas, quer de particulares. Pela fé, venceram, fundaram igrejas, as bênçãos desceram, o Espírito Santo confirmou e o trabalho marcha vitorioso. É em circunstâncias semelhantes que se exercita o dom da fé.

Silva (1996, p. 96), ao escrever sobre a fé como dom de poder, a define como:

[...] uma operação completamente sobrenatural do Espírito Santo, capacitando a mente humana para uma confiança sem igual no poder de Deus, a de que Ele pode realizar qualquer coisa que lhe apraz. O Espírito Santo opera no mais profundo do coração humano, produzindo uma reação imediata da alma e levando-a à certeza e à evidência.

Silva declara que foi através desta fé especial que Jesus transformou água em vinho, multiplicou os pães e os peixes, acalmou a tempestade, expulsou demônios, curou enfermos e ressuscitou mortos.

Para Souza (1998, p. 159), o dom da fé comanda os dons de poder, havendo dessa forma estreita correlação entre eles. Souza classifica a fé da seguinte forma:

- Fé Natural. A capacidade que todo homem tem de crer num ser supremo (Rm 1.19,20);
- Fé Comum. Trata-se da fé que todas as pessoas regeneradas possuem. É a fé que se expressa verdadeiramente através de uma vida de obediência, consagração a Deus e de boas obras (Rm 10.17; Gl 5.22; Ef 2.8; Hb 11.6; Tg 2.14-26; Tt 1.4; Jd 3);
- Fé, Dom do Espírito. É a fé que provêm diretamente de Deus, sobrenatural, que ultrapassa todas as concepções e criatividades humanas e se torna a fortaleza e a segurança da alma, pela qual considera as coisas as coisas que não são como se já existissem (Mc 9.23; 11.22; Hb 11.1).

O dom de fé "habilita o crente a aceitar como realidade todas as promessas de Deus e agir na certeza plena de que Deus vai cumprir a sua Palavra" (Ibid., p. 171)

Horton (1999, p. 296), segue o mesmo conceito de que não se trata da fé comum (ou salvífica), ou da fé (fidelidade) manifesta no fruto do Espírito. Para ele, o dom da fé pode ser transmitido ou comunicado pelo Espírito Santo à Igreja, através de um cântico, de uma oração, de um testemunho, ou da pregação (At 4.31; 2 Co 3.4-6; Gl 3.2, 5).

Bergstén (1999, p. 132), afirma que "este dom em ação gera uma atmosfera de fé, que dá a convicção de agora tudo é possível (cf. Jo 11.40-44; Mc 9.23). Jesus fez menção ao dom da fé quando disse: "Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas (Jo 14.12)". Em suas referências e citações, Bergstén inclui Daniel como portador deste dom (Dn 3.25-28; 6.23).

Chown (2002, p. 84), entende que "Por este dom, o crente é, portanto, revestido do poder sobrenatural de confiar em Deus em situações que só um milagre poderia alterar; de confiar quando tudo está aparentemente perdido; de confiar mesmo quando não há a mínima esperança de solução".

Chown, percebe também a manifestação deste dom na vida de personagens do Antigo Testamento:

"Esta fé, que convida à intervenção divina, foi demonstrada por Moisés [...]" (Ibid., p. 84)

"Daniel tivesse causado a morte das feras, isso poderia ser entendido como dom da operação de milagres; no entanto, ao permanecer no meio desses famintos e ferozes animais sem sofre dano, Daniel evidenciou o dom da fé." (Ibid., p. 87)

"O profeta Elias revelou um grau extraordinário de fé, nesse episódio, ao demonstrar uma confiança inabalável na intervenção de Deus no desafio lançado aos profetas de Baal." (Ibid., p. 90)

"Foi pelo dom da fé que Abraão, aos cem anos de idade, foi agraciado com o herdeiro que Deus lhe prometera (Gn 21.5)." (Ibid., p. 93)

Para Gilberto (2006, p. 71): "Trata-se da fé chamada 'fé especial', 'fé miraculosa'."

Segundo Cabral (2011, p. 50), "[...] esse tipo de fé tem um caráter distinto, porque o mesmo é concedido com a finalidade de realizar proezas em nome do Senhor."

Analisando as várias concepções acerca do dom da fé aqui citadas, pode-se perceber que este dom atua passivamente ou ativamente, ou seja, faz com que o crente receba livramentos ou bênçãos da parte de Deus, para a glória de Deus e edificação da Igreja, ou faz com que o crente realize coisas grandiosas pelo poder de Deus, para a glória de Deus e edificação da Igreja.

Continua...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

DONS QUE MANIFESTAM A SABEDORIA DE DEUS. Subsídio para Lição Bíblica da CPAD - 2º Trimestre/2011


"Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las." (1 Co 12.8-10, ARA)

Os dons espirituais listados em 1 Co 12.8-10 são geralmente classificados na literatura pentecostal da seguinte forma:

- Dons de revelação ou saber - a palavra de sabedoria (gr. logos sophias), a palavra do conhecimento ou ciência (gr. logos gnoseos), discernimento de espíritos (gr. diakriseis pneumaton);

- Dons de poder - fé, (gr. pistis), dons de curar (gr. charismata iamaton), operações de milagres ou maravilhas (gr. evergemata dunameon);

- Dons de inspiração, mensagem, expressão ou elocução - profecia (gr. propheteia), variedade de línguas (gr. gene glosson), interpretação das línguas (gr. hermeneia glosson).

A presente lição trata do primeiro grupo de dons (Dons de revelação ou saber).

A palavra da sabedoria

A Bíblia de Estudo Pentecostal (1999, p. 1756) define este dom como uma mensagem vocal sábia, enunciada mediante a operação sobrenatural do Espírito Santo. A revelação da Palavra de Deus ou a sabedoria do Espírito Santo é aplicada a uma situação ou problema específico (At 6.10; 15.13-22).

Souza (1998, p. 143) e (Gilberto (2006, p.70) afirmam que é um dom extremamente necessário "no governo da igreja, pastoreio, administração, liderança, direção de qualquer encargo na igreja e nas suas instituições".

Segundo Horton (1999, 294), a capacidade humana e a sabedoria natural não estão aqui envolvidas. É uma manifestação do Espírito concedida para "aquela" necessidade (Lc 21.13-15; At 4.8-14, 19-21).

Souza (Ibid., p. 139), considera este dom como "a sabedoria de Deus, ou, mais especificamente, um fragmento da sabedoria de Deus, que é dada por meios sobrenaturais". Para Souza, há semelhanças deste dom com o de profecia.

Na abordagem de Silva (1996. p. 82) "por meio da palavra da sabedoria, Deus capacita a mente humana para entender todos os fatos e circunstâncias, leis e princípios, tendências, influências e possibilidades [...]. É, portanto uma operação desvinculada de qualquer técnica ou método humano, que se manifesta conforme a circunstância ou para atender uma necessidade premente (Lc 12.11, 12; 21.15; Tg 1.5)". Silva compreende ainda, e concordo com ele, que este dom opera desde o Antigo Testamento (desta forma, não precisar ser batizado com o Espírito Santo para recebê-lo), conforme segue:

- José. "Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu." (Gn 41.38,39, ARA). Chown (2002, p. 41), inclui também José entre os portadores deste dom: "De fato, o Espírito Santo pusera na mente de José uma poderosa palavra de sabedoria [...].

- Moisés e Arão. "Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar. [...] Tu, pois, lhe falarás e lhe porás na boca as palavras; eu serei com a tua boca e com a dele e vos ensinarei o que deveis fazer." (Êx 4.12, 15, ARA)

- Bezalel e Aoliabe. "Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade (sabedoria), de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, Eis que lhe dei por companheiro Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã; e dei habilidade (sabedoria) a todos os homens hábeis, para que me façam tudo o que tenho ordenado:" (Êx 31.2, 3, 6 ARA, grifo nosso)

- Josué. "Josué, filho de Num, estava cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés impôs sobre ele as mãos; assim, os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o SENHOR ordenara a Moisés." (Dt 34.9, ARA)

- Salomão. "Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça." (1 Rs 3.28, ARA). Chown (Ibid., p. 38-39), discorda aqui de Silva, entendendo que a sabedoria que Deus concedeu a Salomão foi "natural", e a relaciona com a que Tiago menciona (Tg 1.5). Neste particular concordo com Chown e discordo de Silva.

- Daniel e seus companheiros. "Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos." (Dn 1.17)

Chown (Ibid., p. 39-40), cita ainda Noé como receptor deste dom (Gn 6.13) e afirma: "Esta mensagem, acompanhada das instruções para construir a arca, forneceu à raça humana, na pessoa de Noé, a última esperança de sobreviver e de, um dia, tornar-se herdeira das promessas de Deus em toda a sua plenitude".

A palavra do conhecimento ou ciência

A Bíblia de Estudo Pentecostal (Ibid.), afirma que "trata-se de uma mensagem vocal, inspirada pelo Espírito Santo, revelando conhecimento a respeito de pessoas, de circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Frequentemente, este dom tem estreito relacionamento com o de profecia ( At 5.1-10; 1 Co 14.24, 25)". Gilberto (Ibid.) reafirma esta definição: "Ciência equivale, aqui, a conhecimento. É um dom de manifestação de conhecimento sobrenatual pelo Espírito Santo; de fatos, de causas, de ensinamentos, de ensinadores, etc."

Horton (Ibid. p. 295), afirma que este dom relaciona-se estreitamente com o dom da palavra da sabedoria (2 Co 2.14; 4.6; Ef 1.17-23). O conhecimento, segundo Horton, tem a ver com o conhecimento de Deus, Cristo, do Evangelho e da aplicação do Evangelho ao viver cristão (1 Co 2.12, 13). É um dom que promove a iluminação sobrenatural do Evangelho, especialmente no ministério do ensino e da pregação. Se relaciona com o profundo conhecimento das Escrituras.

Souza (Ibid. p. 145), entende que a palavra do conhecimento "envolve uma implicaçaõ sobrenatural de fatos que, no momento, nenhum indivíduo, por outro modo, poderia aprender por meios naturais. [...] é a revelação de uma série de ações e se baseia no perfeito conhecimento de Deus e tem o sentido de fragmento do conhecimento divino." Assim como a palavra da sabedoria, este dom tem fundamento na onisciência de Deus. Souza admite também a relação deste dom com o ministério do ensino (Ibid., p. 146).

Silva (Ibid. p. 86), define este dom como "a revelação sobrenatural de algum fato que existe na mente de Deus, mas que o homem, devido às suas limitações, não pode conhecer, a não ser pela poderosa intervenção do Espírito Santo." Ele também associa a palavra do conhecimento com a palavra da sabedoria (Êx 31.3; 1 Rs 7.14; Pv 1.7; 9.10; Dn 1.4; 1 Co 12.8, etc.), mas especifica a distinção entre os dois dons (Ibid.), ao afirmar que a sabedoria é a ciência sabiamente aplicada, e que a ciência (ou conhecimento) é um requisito para a sabedoria e para o ensino. Não se trata de um conhecimento adquirido através de estudos e pesquisas dirigidas ou sistematizadas. É entendido por ele, também, como "revelação" (At 20.23; Ef 1.16-17). Para Chown (Ibid., p. 25): "A palavra do conhecimento consiste numa revelação que penetra a mente humana como um relâmpago. Seu teor excede as limitações do conhecimento ou da imaginação do homem. [...] Foi pela palavra de conhecimento que Jesus soube que Natanael meditava sob a figueira, e que se tratava de um homem sem dolo e sem malícia (Jo 1.47,48)".

O pastor Antonio Gilberto, comentando a lição bíblica do 2º Trimestre de 2009, afirma que em Eliseu e Aías operava o dom da palavra da ciência, ambos personagens do Antigo Testamento, o que reforça mais uma vez a ideia de que este dom operou antes do batismo com o Espírito Santo (At 2):

"Ele, porém, entrou e se pôs diante de seu senhor. Perguntou-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? Respondeu ele: Teu servo não foi a parte alguma. Porém ele lhe disse: Porventura, não fui contigo em espírito quando aquele homem voltou do seu carro, a encontrar-te? Era isto ocasião para tomares prata e para tomares vestes, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas?" (2 Rs 5.25, 26, ARA)

"Respondeu um dos seus servos: Ninguém, ó rei, meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na tua câmara de dormir." (2 Rs 6.12, ARA)

"A mulher de Jeroboão assim o fez; levantou-se, foi a Siló e entrou na casa de Aías; Aías já não podia ver, porque os seus olhos já se tinham escurecido, por causa da sua velhice. Porém o SENHOR disse a Aías: Eis que a mulher de Jeroboão vem consultar-te sobre seu filho, que está doente. Assim e assim lhe falarás, porque, ao entrar, fingirá ser outra. Ouvindo Aías o ruído de seus pés, quando ela entrava pela porta, disse: Entra, mulher de Jeroboão; por que finges assim? Pois estou encarregado de te dizer duras novas." (1 Rs 14.4-6)

Chown (Ibid., p. 29-30), também reconhece a operação deste dom no Antigo Testamento. Cita como exemplo de sua operação no Novo Testamento os textos de João 4.17,18,29; Atos 5.3-4; 9.11-12).

Os Discernimentos de espíritos

"Trata-se de uma dotação especial dada pelo Espírito, para o portador do dom de discernir e julgar corretamente as profecias e distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não [...]. No fim dos tempos, quando os falsos mestres (ver Mt 24.5 nota) e a distorção do cristianismo bíblico aumentarão muito (ver 1 Tm 4.1 nota), esse dom espiritual será extremamente importante para a igreja." (Bíblia de Estudo Pentecostal, ibid., p. 1757)

Embora a versão de Almeida Revista e Corrigida traduza por "discernir", no texto grego o termo está no plural (diakriseis, discernimentos).

Horton (Ibid., p. 300), também o entende como diretametne relacionado ao julgamento de profecias (1 Co 14.9). Discernimento, significa formar um juízo, e envolve uma percepção que é outorgada de modo sobrenatural, para diferenciar entre os espíritos, bons e maus, genuínos ou falsos, a fim de chegarmos a uma conclusão (1 Jo 4.1). Assim como os demais dons, é apropriado para circunstâncias e situações específicas (At 5.3; 8.20-23; 13.10; 16.16-18).

Para Gilberto (Ibid.), é um dom de conhecimento e de revelação sobrenaturais do Espírito Santo: "é um dom de proteção divina para não sermos enganados e prejudicados por Satanás e seus demônios, e também pelos homens. [...] Líderes em geral - inclusive de música -, pastores, evangelistas, mestres, precisam muito deste dom para não serem enganados."

Conforme Souza (Ibid., p. 151), este dom é uma habilitação sobrenatural que permite identificar a natureza e o caráter dos espíritos, tendo em vista que existe o Espírito Santo, o espírito humano e os espíritos demoníacos. Ele destaca ainda que não se trata de habilidade para descobrir as faltas alheias, fazer leitura de pensamentos, de fenômeno espiritista (ou mediúnicos), nem se relaciona com a psicologia.

Silva (Ibid., p. 88), concorda com Souza ao declarar que não se trata de técnica, perícia ou psicologia humana, mas sim de uma atuação direta do Espírito Santo na mente do homem, habilitando-o com uma espécie de "psicologia divina" que lhe capacita distinguir as manifestações vindas de Deus das procedentes de espíritos demoníacos. Chown (Ibid., p. 46), confirma este pensamento e nos diz que este dom não pode ser confundido com a perícia psicológica, com a capacidade de analisar caráter, nem com a facilidade de descobrir falhas em nosso semelhantes. Silva adverte ainda que há muitos indivíduos dotados de poderes espirituais e psíquicos que não pertencem ao Reino de Deus. Mais uma vez Silva se reporta ao Antigo Testamento para identificar a manifestação deste dom na vida de alguns personagens (Ibid., p. 89-90). Aliando-se ao pensamento de Gilberto, Silva entende que na igreja, este dom deve ser desenvolvido especialmente na esfera ministerial (liderança).

Chown (Ibid., p. 45), entende que por este dom, o Espírito revela a fonte de qualquer demonstração de poder e de sabedoria sobrenaturais (Mt 24.5, 11; 2 Ts 2.8-10; 1 Tm 4.1; Ap 16.14). Este dom coopera também no discernimento da causa ou origem de doenças físicas ou mentais (Mt 4.24; 12.22; Mc 5. 1-9; 9.25; At 10.38).

Conclusão

A similaridade na abordagem pentecostal teórica e prática sobre os dons de revelação ou saber, faz com que em boa parte dos casos ou situações pairem dúvidas sobre qual deles está se manifestando e operando.

Referências Bibliográficas
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueir, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

Bíblia de Estudo Pentecostal.
Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida-EUA: CPAD, 1999.

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida, 4ª ed., 2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

CHOWN, Gordon. Os dons do Espírito Santo. São Paulo: Vida, 2002.

GILBERTO, Antonio. Verdades pentecostais. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

HORTON, Stanley M. O que a Bíblia diz sobre o Espírito Santo. 5ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

Novo Testamento Interlinear grego-português
. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.

SILVA, Severino Pedro. A Existência e a pessoa do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

SOUZA, Estevam Ângelo de. Nos domínios do Espírito. 4ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O LÍDER CRISTÃO E O HÁBITO DE LEITURA (ALTAIR GERMANO)


Amados leitores, o meu novo livro "O Líder Cristão e o Hábito de Leitura" já se encontra disponível para compra no site da CPAD.

Trata-se, até onde sabemos, do primeiro trabalho de conclusão de um curso acadêmico (TCC, monografia, dissertação ou tese), escrito por um autor brasileiro e publicado pela CPAD. Um marco histórico que compartilho com todos os que militam pela educação teológica nas Assembleias de Deus no Brasil.

SINOPSE


Embora talhada com os rigores da academia. É dirigida a todos os que cultivam o hábito da boa e proveitosa leitura. Mas como ler com proveito? e como encontrar a boa leitura? essas são algumas das questões que o pastor Altair Germano aborda nesta obra. Com o objetivo de conscientizar os líderes acerca da importância da leitura. Afinal, no mundo contemporâneo a constante atualização é indispensável para o sucesso em qualquer atividade, inclusive pastoral. Ciente de que a resistência à leitura é uma realidade, o autor mostra que nada substitu a importância dessa prática, mesmo com todo o desenvolvimento das tecnologias de informação. O autor trata do conceito de leitura, apresenta um panorama da história da leitura desde a antiguidade, aborda a importância da leitura a partir da perspecitiva de autores não-cristãos e cristãos, a importância da leitura para a liderança no contexto bíblico e cristão, e especificamente para os pastores da atualidade, propondo dicas de como aperfeiçoar essa prática.

DADOS TÉCNICOS

Formato: 14,5 x 22,5cm / 96 páginas
Acabamento: Brochura
ISBN 978-85-263-0767-3

PREÇO PROMOCIONAL DE LANÇAMENTO: R$ 10,11

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