terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O SURGIMENTO DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE. Subsídio para Lição Bíblica - 1ª Trimetre/2012


O estudo sobre a Teologia da Prosperidade através das Lições Bíblicas chegou numa boa hora. Alguns televangelistas no Brasil, que outrora eram combatentes de tal heresia, hoje, para espanto de muitos propagam e defendem abertamente (ou sorrateiramente) os seus princípios.


Na condição de movimento doutrinário, a Teologia da Prosperidade se desenvolveu após os anos 70, encontrando espaço nos grupos evangélicos pentecostais. Sobre isto comenta Pieratt

[...] o pentecostalismo não foi o pai desse novo evangelho, embora talvez possa ser chamado de padrasto, por causa da forma como o abraçou e seguiu seus ensinos. Então, a primeira pergunta que se levanta é por que
as denominações pentecostais têm sido mais abertas a esse ensino do que qualquer outro grupo protestante. A resposta parece estar na tendência que elas têm de aceitar dons de profecia e profetas dos dias atuais que afirmam exercer esses dons. Por causa da abertura para visões, revelações e orientações espirituais contínuas fora da Bíblia, cria-se um espaço para a entrada das afirmações do evangelho da prosperidade.[1]

Uma afirmação muito interessante neste enunciado de Pieratt é o fato de que o evangelho da prosperidade não se sustenta na autoridade das Santas Escrituras, mas, na autoridade dos “profetas” da atualidade (ou dos carismas). O motivo disto é a sua fraca sustentação à luz de uma análise exegética e hermenêutica séria e ortodoxa, baseada numa interpretação histórico-gramatical da Bíblia.

Observe o que escreveu Hagin

O próprio Senhor me ensinou sobre a prosperidade [...] recebi isso diretamente do céu.” (in How God Taugh Me About Prosperith, 1991 apud ANKERBERG e WELDON, 1996, p. 32). Em Solving the Mystery of the Miracle Money (Resolvendo o Mistério do Dinheiro Milagroso), Robert Tilton afirma que: “As palavras deste livro não são minhas; são palavras do [...] Espírito Santos [...].[2]

Em qualquer época, toda reivindicação de autoridade profética, ou de veracidade da profecia, esteve relacionado à revelação de Deus em seus escritos inspirados

Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Andareis após o SENHOR, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis. (Dt 13.1-4, ARA)

Um texto muito utilizado para fortalecer a autoridade do “profeta” em detrimento das Escrituras é 2 Crônicas 20.20

E, pela manhã cedo, se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; e, saindo eles, pôs-se em pé Josafá e disse: Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém: Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis.

Observe que primeiro se deve crer em Deus. Crer no profeta e prosperar está condicionado ao fato do profeta estar em obediência à palavra de Deus. Um profeta herege é um profeta destituído de autoridade espiritual, pois esta depende da submissão ao Pai.

Profecia e teologia devem caminhar de mãos dadas, sendo toda profecia passiva de julgamento (1 Co 14.29) pela teologia (interpretação e sistematização dos mandamentos). A voz de Deus nos mandamentos (texto inspirado), não pode destoar da voz de Deus na profecia (carisma inspirado). Desta forma, teologia e profecia se complementam, em vez de serem entendidas como manifestações antagônicas.

Outro fato digno de nota foi que a doutrina da prosperidade em sua origem, esteve intimamente relacionada à expansão do televangelismo norte-americano

Foi o televangelista Oral Roberts quem criou a noção de "Vida Abundante" e deu início à pregação da doutrina da prosperidade, prometendo retorno financeiro sete vezes maior do que o valor ofertado. Roberts passou a dar maior ênfase a tal mensagem a partir de 1954, quando, ao ingressar na TV, suas despesas aumentaram consideravelmente. [...] Nos anos 70, essa doutrina ganharia maior projeção por meio do ministério de Kenneth e Gloria Copeland, que a radicalizaram prometendo retorno centuplicado dos dízimos e ofertas. [...] A origem das doutrinas sobre prosperidade manteve íntima conexão com a expansão do televangelismo norte-americano . [...] em função do aumento da competição entre os televangelistas, o tempo na TV tornou-se mais caro para eles. O custo dos programas subiu mais que a audiência. Pressionados pelas despesas crescentes de seus projetos, que foram se tornando cada vez mais ambiciosos, os televangelistas refinaram as formas de levantar fundos, integrando os apelos financeiros à teologia [...]. Não é à toa que a Teologia da Prosperidade ingressou no Brasil e se espraiou em diversos segmentos evangélicos por meio dos neopentecostais, justamente os mais ativos difusores do televangelismo entre nós.[3]

No Brasil, após encontrar bastante espaço em alguns segmentos do neopentecostalismo, a Teologia da Prosperidade achou guarida no pentecostalismo clássico, mais especificamente nas Assembleias de Deus, ultimamente travestida de “Vitória Financeira”, tendo como fundamento teórico as anotações do pastor Morris Cerullo na Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira (refutadas em meu livro Uma Igreja com Saúde), amplamente divulgada e recomendada pelo pastor assembleiano Silas Malafaia em seu programa de televisão, através de campanhas de “semeaduras” financeiras elitizadas, prometendo ganhos financeiros e materiais aos “semeadores”, repetindo desta maneira os mesmos lamentáveis fatos ocorridos entre os televangelistas americanos.

A prosperidade é uma verdade bíblica (Gn 39.23; Js 1.8; 2 Cr 20.20; 26.5; Sl 1.1-3; 122.6; 2 Co 9.10-11 ss), mas a Teologia da Prosperidade (ou da Vitória Financeira) é uma heresia perniciosa e oportunista. Com sua ênfase demasiada nas riquezas, suas exegese deturpada, seus métodos de levantamento de fundos agressivos e seus falsos profetas, a Teologia da Prosperidade não passa de uma corrupção doutrinária absurda, que deve ser veementemente combatida e repudiada no meio cristão.

Para finalizar, reproduzo abaixo o texto de um post que publiquei aqui no blog, intitulado “Nem Teologia da Prosperidade, nem Teologia da Miserabilidade”

E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra, conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia e pão para comer também multiplicará a vossa sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça; para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus. (2 Co 9.6-11)

Tão nociva quanto a Teologia da Prosperidade (ou da Vitória Financeira), defendida pelos televangelistas aproveitadores da ingenuidade alheia, que apelam para a autoridade de falsos profetas importados, é também a Teologia da Miserabilidade.

Enquanto a Teologia da Prosperidade apela para o "dar tudo", a Teologia da Miserabilidade retém tudo.

O texto bíblico citado acima nos oferece uma base sólida e clara para a prática da contribuição financeira na igreja.

Em primeiro lugar, o apóstolo Paulo nos exorta a semear com abundância. Obviamente, tal abundância é proporcional à realidade financeira de cada um. Dessa forma, para alguns R$ 100,00 será uma oferta abundante, enquanto que para outros, o valor abundante será R$ 100.000,00.

Em segundo lugar, a contribuição é baseada numa decisão subjetiva e livre por parte do ofertante. Ninguém lhe propõe, nem estabelece valores ou quantidade. Não há desafios, não há apelações, não há manipulações, não há coações.

Em terceiro lugar, o ato livre e consciente de contribuir deve ser motivado pelo sentimento certo. É a alegria que norteia a liberalidade do ofertante. Nada de culpas, nada de tristezas, nada de medos, nada de barganhas.

Em quarto lugar, o propósito da abundância, da suficiência, da multiplicação e do enriquecimento precisa estar bem compreendido e definido pelo ofertante. Prosperamos para superabundarmos em toda a boa obra. Somos enriquecidos para toda beneficência.

Entendendo dessa forma os princípios norteadores da contribuição financeira à luz do Novo Testamento, abominaremos a Teologia da Prosperidade (ou da Vitória Financeira), rejeitaremos igualmente a Teologia da Miserabilidade e vivenciaremos a Teologia da Generosidade para a glória de Deus.



[1] Pieratt, 1993, p. 21.
[2] Apud, ibid., p. 33.
[3] Mariano, 1999, p. 152.

Referências Bibliográficas

MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

Pieratt, Alan B. O evangelho da prosperidade: análise e resposta. São Paulo: Vida Nova, 1993.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A INTEGRIDADE DE UM LÍDER. Subsídio para Lição Bíblica - 4º Trimestre/2011


Nesta última lição do 4º trimestre de 2011 o tema “integridade” é abordado com muita propriedade. Iniciarei este subsídio citando e comentando alguns trechos da lição.

A INTEGRIDADE DO LÍDER E AS VANTAGENS

“[...] Neemias abriu mão de todas essas vantagens, para ajudar para ajudar seus compatriotas a superar aquele momento tão difícil. Atualmente, não são poucos os homens e mulheres que tudo renunciam para se dedicarem integralmente ao Reino de Deus.” (Ponto I, sub-ponto 1)

O texto acima afirma uma verdade, a de que muitos renunciaram vantagens para se dedicarem ao Reino Deus. Conheço diversas pessoas que sentindo o chamado de Deus para dedicar tempo exclusivo em sua obra abriram mão de um emprego maravilhoso, de uma carreira promissora e de um negócio lucrativo.

Por outro lado, conheço muita gente que fez (e faz) do Reino de Deus o seu negócio. São líderes que fazem da posição que ocupam fonte de enriquecimento pessoal e de benefício para a família e “amigos”. Estes, matam e morrem para não perder as vantagens das quais Neemias abriu mão. Falo da segurança, estabilidade, conforto, posição privilegiada e honrarias.

Nos dias atuais tenho visto líderes que eram íntegros e tementes a Deus, mas, que agora encontram-se corrompidos e embriagados por cargos e posições. Ocupar e se manter em cargos de diretorias de igrejas, convenções estaduais e nacionais tornou-se obsessão para os tais. A minha alma geme em vê tanta gente boa se perdendo. A confiança na soberania de Deus que estabelece líderes para servir ao seu povo foi quase que totalmente abandonada.

A INTEGRIDADE DO LÍDER E A REFORMA MORAL E ESPIRITUAL

“Homem íntegro e temente a Deus, não se limitou a reconstruir os muros e as portas de Jerusalém, mas conduziu a nação a uma profunda reforma moral e espiritual”. (Ponto II, sub-ponto 1)

Uma reforma moral e espiritual foi um grande anseio no período que antecedeu a Reforma Protestante. O quadro era o seguinte:

- Corrupção e suborno nas eleições e indicações para os cargos eclesiásticos. Alexandre VI foi eleito pelo colégio de cardeais por meio de suborno e Leão X teve a sua eleição comprada a peso de ouro[1]. Sisto IV financiou suas guerras vendendo os cargos da Igreja para os compradores que mais pagassem.[2] Os cardeais raramente eram escolhidos por sua piedade, mas em geral por sua riqueza ou relações políticas ou capacidade administrativa.[3] Na Igreja do século XV quase todas as indicações exigiam a compra de superiores. “Uma medida papal muito usada para arranjar dinheiro era vender cargos eclesiásticos, ou (segundo o ponto de vista dos papas) indicar para sinacuras ou honrarias, até para cardinalato, pessoas que fizessem uma contribuição substancial para as despesas da Igreja”.[4] O nepotismo esteve também presente. Alexandre VI logo após a instalação, cumulou seu filho de benefícios, que aos 16 anos foi nomeado arcebispo de Valência. Após um ano fê-lo cardeal.

- Envolvimento com a política secular. Leão X, o terrível, era mais comandante de tropas do que líder espiritual. “Para ele, a salvação da Igreja estava na política e na guerra, uma eclesiologia altamente questionável”.[5] A diplomacia inescrupulosa de Alexandre VI e o militarismo cruel de seu filho César Bórgia reconquistaram os Estados Papais para o papado e acrescentaram rendas e forças à Sé Apostólica, escandalizando com os seus métodos a Europa.[6] O Papa Júlio II superou a postura e ação militar de César Bórgia realizando guerra contra a rapace Veneza e os franceses invasores. “A Europa ficou chocada ao ver o papado não somente secularizado como também militarizado”.[7] O Papa Sisto IV atirou-se avidamente ao jogo da política.[8] Muitos bispos eram, ao mesmo tempo, governadores eclesiásticos e civis.[9]

- O esbanjamento dos recursos. Leão X foi leviano gastando fortunas para saciar o seu hedonismo. Logo após a sua eleição escreveu a seu irmão Giuliano de Médicis: “Curtamos o papado, já que Deus no-lo concedeu!”.[10] A Igreja esqueceu a pobreza dos Apóstolos nas necessidades e gastos do poder[11]. Os impostos papais para manter o luxo tornaram-se uma carga pesada para o povo da Europa.[12] “Para a maior parte do clero, a Igreja era vista como sendo de sua propriedade”. [13]

- A força da tradição. Um conjunto de tradições religiosas, ao passar dos séculos, ganhou preeminência em relação à Palavra de Deus. Assim, como nos dias de Jesus, a tradição passou a invalidar o mandamento divino (Mt 15.1-6). Como bem coloca Maia

A tradição nunca foi rejeitada pelo simples fato de ser tradição. Nas próprias Escrituras encontramos ênfase e crítica à tradição (2 Ts 2.15). A questão básica é: A que tradição estamos nos referindo? R.C. Sproul esclarece: “Lutero e os reformadores não queriam dizer por Sola Scriptura que a Bíblia é a única autoridade da Igreja. Pelo contrário, queriam dizer que a Bíblia é a única autoridade infalível dentro da Igreja.[14]

O que não se pode negociar e aceitar é o fato de que nenhuma tradição, por “boa” que seja, tenha autoridade acima da Palavra de Deus.

- Outras queixas. Outros fatores contribuíram para o anticlericalismo da Europa Católica Romana.[15] Foram eles: A ênfase na fé ortodoxa mais do que na boa conduta, a absorção da religião pelo ritual, a ociosidade e a esterilidade espiritual dos monges, a exploração da credulidade popular através da venda de indulgências, do suposto poder miraculoso das relíquias, do abuso da excomunhão, da censura pelo clero às publicações, a crueldade da inquisição, o desvios de recursos destinados às cruzadas, e mais a afirmação de que um clero corrompido era o único ministrador de todos os sacramentos, com exceção do batismo.

Este conjunto de fatores promoveu um total descrédito na liderança da Igreja. O título de clérigo, padre ou monge era um termo de insulto pesado. “Em Viena, o sacerdócio, em tempos a mais desejada de todas as carreiras, não recebeu qualquer noviço nos 20 anos que precederam a Reforma”.[16]

É duro afirmar, mas estamos repetindo os mesmos erros do passado. Concluo, seguindo a mesma perspectiva de Lutero, de que uma reforma moral só será possível com uma reforma espiritual, e não o contrário. Aliás, foi este o grande ponto de divergência entre o reformador Lutero e o humanista Erasmo de Roterdã.

A INTEGRIDADE DO LÍDER E O PODER

“Há um ditado popular que diz: ‘Quer saber quem é realmente uma pessoa? Dê-lhe poder’. Há certos homens e mulheres que, ao assumirem um cargo de liderança, mudam completamente”.(Ponto II, sub-ponto 2)

Eu acrescento ao ditado o seguinte: Quer saber mais ainda quem é realmente uma pessoa? Tire o poder que lhe foi dado.

Conheço líderes que quando não estavam no poder censuravam e se indignavam com algumas práticas de quem lá estava. Ao assumir o poder, não demorou muito para reproduzir os mesmos erros.

Hoje, em igrejas e Convenções, há uma luta ferrenha para se conquistar e para se manter no poder. Quem está fora quer entrar para “mamar nas tetas” da instituição, enquanto quem está no poder não quer largar de forma alguma as “tetas”. Parece até com a música do Dominguinhos que diz:

Olha, isso aqui tá muito bom

Isso aqui tá bom demais

Olha, quem ta fora qué entra

Mas quem ta dentro não sai

Verso:

Vou me perder me afogar no teu amor

Vou desfrutar me lambuzar deste calor

Te agarrar pra descontar minha paixão

Aproveitar o gosto dessa animação

No caso “ministerial” em questão, os homens estão se afogando no amor ao poder, se lambuzando nos privilégios, se agarrando aos cargos e se animando nos grandes banquetes.

A INTEGRIDADE E A POPULARIDADE DA LIDERANÇA

Wiersbe, em seu livro A Crise de Integridade (1993, p. 52-53), faz uma advertência bastante pertinente para a nossa realidade

Uma das fraquezas da igreja nos últimos anos tem sido a abundância de celebridades e a ausência de servos. A maneira pela qual alguns pregadores dos meios de comunicação têm ostentado abertamente um estilo de vida extravagante é uma desgraça para si mesmos e para a igreja. Entretanto, poucos líderes religiosos ousam criticá-los ou cortar a amizade. Afinal, quando assistem às mesmas convenções, compartilham a mesma publicidade e pertencem às mesmas comissões influentes, é fácil ignorar o pecado e chamar a covardia de “tolerância”. A igreja não vai solucionar a crise de integridade até que os seus ministros e membros comecem a viver a mensagem do evangelho tanto quanto pregá-la. Os pregadores do sucesso asseveram que uma vida de opulência é a confirmação do evangelho, mas eu acho que é uma contradição do evangelho. Não é que Deus queira que o seu povo viva em pobreza, pois ele “tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (1 Tm 6.17). Mas, levando em consideração o nascimento, a vida e a morte de Cristo, e levando em consideração o sofrimento e a necessidade do mundo nos dias de hoje, como pode a igreja justificar apoio a homens e movimentos que desperdiçam recursos? Acho que algumas celebridades cristãs tem problemas financeiros e morais por começarem a acreditar no que se dizia a seu respeito. Deve ser difícil para a celebridade chegar em casa depois de uma esplêndida reunião ou concerto e ter que trocar as fraldas do nenê ou levar o lixo para fora! [...] Nos dias de hoje muitos ministérios são governados pela popularidade e não pela integridade, pelas estatísticas e não pelas Escrituras. [...] Nossa igrejas também precisam de líderes corajosos como Neemias, que estejam dispostos a atacar a árdua tarefa de remover os destroços, reconstruir os muros e retirar o opróbrio do povo de Deus. Para resolver essa crise de integridade, pregadores e leigos precisam trabalhar em conjunto. Portanto, voltemos a Neemias e consideremo-lo como nosso exemplo de integridade na liderança.

Amados, fico por aqui, agradecendo a todos que me motivam para continuar a escrever estes subsídios. Sou sabedor do incômodo que os mesmos provocam em muitos, mas, da mesma forma, da esperança e ânimo que promovem em outros.

Sou consciente de que não se dobrar ao “sistema” tem um preço alto a ser pago, mas, como Jesus pagou um preço bem maior, sigo na graça dele e contando com as vossas orações.

No amor de Cristo,


CITAÇÕES

[1] DREHER, Martim N. A Crise e a renovação da Igreja no período da Reforma. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2006, p. 17.

[2] DURANT, ibid., p. 11.

[3] Ibid., p. 15.

[4] Ibid., p. 16.

[5] DREHER, ibid.

[6] DURANT, ibid., p. 11.

[7] Ibid., p. 17.

[8] DURANT, Ibid., p. 11

[9] Ibid., p. 15.

[10] DREHER, ibid., p. 18.

[11] DURANT, ibid., p. 16.

[12] CAIRNS, ibid., p. 201.

[13] DREHER, ibid.

[14] MAIA, Hermisten. Fundamentos da Teologia reformada. São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 42.

[15] DURANT, ibid., p. 21.

[16] Ibid.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOICE, James M. et al. Reforma Hoje: uma convocação feita pelos evangélicos confessionais. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. Tradução de Israel belo de Azevedo. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1988.

DURANT, Will. A Reforma. Tradução de Mamede de Souza Freitas. 3.ed.Rio de Janeiro: Record, 2002.

DREHER, Martim N. A Crise e a renovação da Igreja no período da Reforma. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2006.

MAIA, Hermisten. Fundamentos da Teologia Reformada. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

WIERSBE, Warren W. A crise de integridade. Flórida-EUA: Editora Vida, 1993.